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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

"Tirem a mão do nosso bacalhau!"
Quarta, 15 Fevereiro 2012 18:40

Como a Comissão Europeia tem poucos problemas para resolver decidiu escolher como prioridade impor a alteração do tradicional método de secagem do bacalhau em Portugal por um sistema de origem nórdica.

“Qual é o poder oculto que as empresas nórdicas detentoras deste método têm sobre a Comissão Europeia para que esta o imponha?”, perguntou Marisa Matias na sessão plenária do Parlamento Europeu a decorrer em Estrasburgo.

A eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda recordou que a secagem do bacalhau é feita em Portugal há centenas de anos pelo método natural que mantém a qualidade do produto e salvaguarda a saúde pública.

“Porque raio é que a Comissão Europeia”, insistiu Marisa Matias, “resolve agora por em causa este método, estes conhecimentos seculares, para impor um método único, artificial, que recorre à utilização de fosfatos, que altera a qualidade do alimento, que altera os sabores?”

Interrogando-se sobre “o poder oculto” dos lobbies nórdicos junto da Comissão, a eurodeputada salientou que “é muito triste a ideia que damos aos cidadãos das prioridades escolhidas para actuar na União Europeia”.

“Quando assistimos a tanta falta de Europa e de tanta coisa essencial para a vida dos cidadãos”, acrescentou Marisa Matias, “o que a Comissão Europeia escolhe como prioridade é ir mexer no bacalhau; até parece que não tem mais nada que fazer…”