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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Estados Unidos e China jogam ping-pong de retaliações PDF Versão para impressão
Quarta, 03 Fevereiro 2010 18:40

made in china, foto de andresrguez - http://www.flickr.com/photos/29834126@N02/2934812010/

O ping-pong de retaliações entre os Estados Unidos e a China não deixam dúvidas: as relações entre os dois gigantes estão a deteriorar-se.

Os episódios mais recentes de uma confrontação verbal pouco comum, nos últimos anos, entre Washington e Pequim são a venda de armas norte-americanas ao regime de Taiwan e a polémica em torno da figura de Dalai Lama e do que ele representa para o Tibete. Os atritos não são novos mas o tom utilizado por ambas as partes é menos suave do que habitualmente.

A troca azeda de palavras não começou agora nem se restringe a estes factos.

O primeiro sinal de tensão foi dado a nível comercial, quando Obama decidiu levantar taxas aduaneiras às importações chinesas e Pequim respondeu estabelecendo medidas proteccionistas capazes de afectar empresas norte-americanas.

A fricção seguinte iniciou-se na semana passada, quando a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, se dirigiu com dureza à China colocando pressão sobre o regime de Pequim para que apoie os Estados Unidos no agravamento de sanções ao Irão ou outras eventuais medidas de força contra Teerão.

A iniciativa de Clinton impacientou Pequim, que tem no Irão o seu principal fornecedor de petróleo e pretende continuar a gerir com cuidado as consequências da alta tensão existente entre Washington e Teerão. Num quadro de conflito que exija uma definição mais clara da sua posição a China receia que, seja qual for a sua atitude, venha sempre a ser prejudicada no domínio energético. Daí que em Pequim se suspeite que ao pressionar o Irão os Estados Unidos estejam também a tentar travar a dinâmica económica chinesa.

O problema de Taiwan é um foco recorrente de polémica entre os dois gigantes mas as tentativas regulares – embora sem êxito – de resolver o assunto de forma negociada, tal como aconteceu com Hong-Kong e Macau, tem permitido períodos de contenção.

A Administração de Barak Obama escolheu, contudo, esta fase para retomar o projecto de venda de armas a Taiwan criado no tempo da Administração de George W. Bush.

Não se trata de um pequeno arsenal para recomposição de stocks mas sim de um fornecimento variado e actualizado de armas ditas defensivas e ofensivas num valor calculado em 6400 milhões de dólares. A imprensa norte-americana revelou que o pacote integra mísseis Patriot do tipo dos que os Estados Unidos estão a distribuir pelo Médio Oriente, Leste da Europa e Eurásia em geral, para fazer face à suposta “ameaça iraniana”, mísseis Harpoon utilizáveis contra alvos terrestres e navais e seis dezenas de helicópteros Black Hawk.

A China não perdeu tempo e reagiu impondo mais um conjunto de medidas de retaliação, entre elas a imposição de sanções contra os gigantes da indústria norte-americana que fornecem sistemas para o armamento incluído no fornecimento a Taiwan. Entre as multinacionais atingidas figuram a Raytheon, a Lockheed, a General Electric, a Sikorski e a Boeing, que não aceitarão com facilidade o levantamento de problemas à sua actuação num mercado com a amplitude do chinês.

A crise acontece aliás, o que não será coincidência, num momento de cada vez maior pujança das empresas chinesas nos mercados mundiais – comprando até marcas que são ícones da economia ocidental – enquanto se multiplicam sinais de dificuldades das empresas e da economia norte-americana, traduzidas no projecto de orçamento para 2011. Num texto incómodo para a Casa Branca, o New York Times comentou o documento sublinhando que o seu conteúdo não é compatível com o de um país que pretende continuar a ser a primeira potência mundial. Travar a pujança económica chinesa será, por esta lógica, uma das opções para conservar a liderança.

Pelo meio destes problemas com influência profunda no relacionamento entre Pequim e a China, o caso da censura ao motor de pesquisa Google ganhou proporções que não teria em ocasiões mais distendidas, uma vez que o próprio operador de internet manifestou intenção de resolver o assunto sem polémica devido ao volume de receitas que obtém com a presença na China.

A questão do Tibet entrou igualmente na agenda do conflito verbal, partindo da China, provavelmente com base em informações diplomáticas, a iniciativa de transmitir a Washington o seu desagrado por um então hipotético encontro entre o presidente Obama e o Dalai Lama. O regime chinês não aceita o papel de intervenção política do líder espiritual tibetano, posição que tem transmitido nos encontros realizados com os enviados deste.

Horas depois de divulgada a posição chinesa, Barak Obama anunciou que vai encontrar-se com o Dalai Lama provavelmente ainda este ano.

Pequim sublinhara que se tal encontro se realizar provocará uma “profunda deterioração” das relações bilaterais, pelo que o ping-pong retaliatório não acaba aqui. Fica por conhecer até onde se estenderá sabendo-se que os dois países têm uma ligação muito enraizada através até da geminação de vários sectores das suas economias, sendo a China, por outro lado, o principal detentor da dívida pública dos Estados Unidos.