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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

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Produzido por Miguel Portas   

obamanetabbas

A boa vontade do presidente da Autoridade Palestiniana não foi premiada por Netanyau. As conversas começaram em Washington mas estão envenenadas, a desigualdade das forças à mesa é uma realidade, os extremismos progridem dos dois lados. A análise à nova fase do processo de conversações no Médio Oriente feita por Miguel Portas, eurodeputado do GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda.

Iniciaram-se no dia 2 novas negociações entre israelitas e palestinianos. É uma boa notícia? Depende de para quem.
Para Obama é uma prenda. Com eleições à porta e resultados medíocres no plano interno e nos teatros de guerra, os democratas precisam de mostrar, senão resultados, pelo menos promessas. Insistentemente, pressionaram Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestiniana, para negociar sem condições e este acabou por ceder. Durante meses, a Autoridade palestiniana condicionara a sua presença à suspensão das acções de colonização. A pretensão não era excessiva. Com efeito, à luz do Direito Internacional os territórios que Israel conquistou em 1967 são palestinianos. O seu povoamento com colonatos – ou seja, com cidades que exploram os meios rurais envolventes e os seus recursos, como a água, e respectivas infraestruturas viárias de ligação – é ilegal. A suspensão seria o sinal de que Telavive aceitava discutir não apenas a sua segurança, mas também a viabilização de um Estado palestiniano.
A boa vontade de Abu Mazen não foi premiada por Netanyau. Bem pelo contrário, o primeiro-ministro israelita anunciou, horas antes do início das negociações, o prosseguimento da colonização...
 
E agora? Agora nada.
Conversas envenenadas estão condenadas. A desigualdade das forças em presença também não ajuda. Um lado fala de cima da burra, das armas e da conivência dos EUA, enquanto o outro se encontra diminuído até na sua legitimidade interna. A decisão de abdicar das condições negociais levou os partidos palestinianos laicos, com excepção da corrente do presidente, a Fatah, a assinarem uma declaração conjunta com o Hamas. Para agravar a situação, o partido islâmico regressou esta semana à luta armada, o que levará a novo endurecimento nas políticas de retaliação israelitas.
As boas notícias não abundam, portanto. O pano de fundo destas negociações sem destino são, de um lado, a ascensão da extrema-direita e dos religiosos em Israel – exigindo restrições à liberdade de manifestação – e, do outro lado, o endurecimento islamita – como a recente proibição de fumar nos cafés imposta às mulheres em Gaza o prova sem margem para dúvidas...
... E no entanto, o mundo move-se. Paradoxalmente, o fim do bloqueio a Gaza nunca esteve tão próximo. Ele será uma realidade no dia em que a União Europeia suspender os seus acordos com Israel passar e boicotar a importação de produtos oriundos dos colonatos. A firmeza, mais do que negociações para os holofotes, daria o sinal correcto a quem resiste com meios pacíficos na Cisjordânia e se manifesta pela paz em Israel. É da força desta convergência e das suas raízes nas respectivas sociedades, que depende a vontade para um acordo justo e duradouro. 

 

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