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A boa vontade do presidente da Autoridade Palestiniana não foi premiada por Netanyau. As conversas começaram em Washington mas estão envenenadas, a desigualdade das forças à mesa é uma realidade, os extremismos progridem dos dois lados. A análise à nova fase do processo de conversações no Médio Oriente feita por Miguel Portas, eurodeputado do GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda.
Iniciaram-se no dia 2 novas negociações entre israelitas e palestinianos. É uma boa notícia? Depende de para quem. Para Obama é uma prenda. Com eleições à porta e resultados medíocres no plano interno e nos teatros de guerra, os democratas precisam de mostrar, senão resultados, pelo menos promessas. Insistentemente, pressionaram Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestiniana, para negociar sem condições e este acabou por ceder. Durante meses, a Autoridade palestiniana condicionara a sua presença à suspensão das acções de colonização. A pretensão não era excessiva. Com efeito, à luz do Direito Internacional os territórios que Israel conquistou em 1967 são palestinianos. O seu povoamento com colonatos – ou seja, com cidades que exploram os meios rurais envolventes e os seus recursos, como a água, e respectivas infraestruturas viárias de ligação – é ilegal. A suspensão seria o sinal de que Telavive aceitava discutir não apenas a sua segurança, mas também a viabilização de um Estado palestiniano. A boa vontade de Abu Mazen não foi premiada por Netanyau. Bem pelo contrário, o primeiro-ministro israelita anunciou, horas antes do início das negociações, o prosseguimento da colonização... E agora? Agora nada. Conversas envenenadas estão condenadas. A desigualdade das forças em presença também não ajuda. Um lado fala de cima da burra, das armas e da conivência dos EUA, enquanto o outro se encontra diminuído até na sua legitimidade interna. A decisão de abdicar das condições negociais levou os partidos palestinianos laicos, com excepção da corrente do presidente, a Fatah, a assinarem uma declaração conjunta com o Hamas. Para agravar a situação, o partido islâmico regressou esta semana à luta armada, o que levará a novo endurecimento nas políticas de retaliação israelitas. As boas notícias não abundam, portanto. O pano de fundo destas negociações sem destino são, de um lado, a ascensão da extrema-direita e dos religiosos em Israel – exigindo restrições à liberdade de manifestação – e, do outro lado, o endurecimento islamita – como a recente proibição de fumar nos cafés imposta às mulheres em Gaza o prova sem margem para dúvidas... ... E no entanto, o mundo move-se. Paradoxalmente, o fim do bloqueio a Gaza nunca esteve tão próximo. Ele será uma realidade no dia em que a União Europeia suspender os seus acordos com Israel passar e boicotar a importação de produtos oriundos dos colonatos. A firmeza, mais do que negociações para os holofotes, daria o sinal correcto a quem resiste com meios pacíficos na Cisjordânia e se manifesta pela paz em Israel. É da força desta convergência e das suas raízes nas respectivas sociedades, que depende a vontade para um acordo justo e duradouro.
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