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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Sarkozy socorre-se do nacionalismo PDF Versão para impressão
Produzido por Redacção de The Week   

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A onze meses das eleições presidenciais, com o seu ministro do Trabalho alegadamente envolvido num escândalo político-fiscal e com o mais baixo índice de popularidade de sempre, o presidente francês, Nicholas Sarkozy, endureceu o discurso contra os cidadãos de ascendência estrangeira como tentativa para recuperar apoio. A estratégia parte do princípio de que a sua eleição como presidente assentou num discurso nacionalista com ressonâncias xenófobas.

A intervenção presidencial foi feita em Grenoble na sequência de incidentes registados entre jovens e a polícia durante o mês de Julho. A crise iniciou-se quando um homem de 27 anos, Karim Boudouda, foi morto pela polícia à porta de casa depois de alegadamente ter tentado assaltar um casino. Nos tumultos que se seguiram, e durante as quais dezenas de pessoas atacaram uma esquadra da polícia, foram destruídos pelo menos cinquenta veículos. As forças policiais recorreram a balas reais durante as operações repressivas.

No seu discurso, Sarkozy prometeu que a nacionalidade francesa será retirada a qualquer indivíduo de origem estrangeira que "ameace a vida de um agente da polícia ou de alguém envolvido na manutenção da ordem pública". Ainda de acordo com o discurso presidencial, o governo pretende tornar mais longas as penas de prisão para os crimes violentos e adoptar medidas que dificultem a obtenção da cidadania francesa por estrangeiros que enquanto jovens tenham tido problemas com a justiça. "A guerra que decidi travar contra os traficantes, contra os vadios é uma guerra nacional e durará vários anos", acrescentou.

Quarta-feira o presidente francês ordenara o desmantelamento de 300 acampamentos considerados ilegais de viajantes e ciganos e a expulsão de ciganos romenos e búlgaros acusados de terem participado em distúrbios públicos.

Dirigentes de organizações políticas de vários quadrantes, incluindo alguns que até há pouco militavam nas fileiras presidenciais, condenaram o discurso de Sarkozy. "Uma nova etapa, perigosa e indigna, de uma escalada populista e xenófoba", comentou a ex-candidata socialista à presidência, Segolène Royal. A Liga dos Direitos Humanos, por seu turno, sublinhou que recorrer a "slogans dos anos trinta" em relação aos estrangeiros "é a maneira mais insuportável de avivar os ódios". Várias declarações salientaram que o presidente pretende deslocar o centro das atenções para a questão da delinquência numa altura em que se prepara para reforçar as medidas de austeridade contra a população, designadamente através de cortes nas pensões sociais.

 

 

 

 

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