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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

O nostálgico Dia Nacional da Bélgica PDF Versão para impressão
Produzido por Helena de Carvalho   

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Helena de Carvalho

A Bélgica, país que assegura a presidência semestral da União Europeia, celebrou o seu Dia Nacional com pompa, nostalgia, uma parada militar com dimensão europeia e... sem governo. O "cimento" nacional de um país em desagregação foram o rei, bandeiras patrocinadas pela rádio "Nostalgie" e a tropa.

Nostalgia era a palavra escrita nas bandeiras belgas que passavam de mãos em mãos durante as celebrações do feriado nacional da Bélgica que foi comemorado quinta-feira na capital do país com a presença da família real e de milhares de cidadãos, imóveis atrás das grades que os separavamdo cortejo, do rei e daqueles que tinham estatuto para ter direito a um lugar sentado.

Se, por acaso, não soubéssemos que “Nostalgie” é o nome de uma rádio belga que fazia auto-promoção durante a procissão militar, poderíamos até pensar de que o país tinha sido finalmente dividido e que flamengos e valões tinham posto fim, através do divórcio, a uma discussão quase tão velha quanto o próprio país.

Mas quem decidisse prestar atenção ao cortejo durante alguns instantes facilmente compreenderia que a divisão nunca poderia acontecido porque o sentimento nacionalista estava em cada cabeça que por ali passava,
começando nos milhares de chapéus que exibiam as cores nacionais da Bélgica e terminando nos inúmeros olhares hipnotizados pelas figuras reais, e que apenas se desviaram quando o desfile aéreo começou. No céu, quatro Alfa jets deixaram um rastro com as cores da bandeira belga, provocando um espectacular efeito visual se nos conseguíssemos abstrair por um segundo do que uso estes aviões têm normalmente. Foi então a vez dos F-16 rasgarem os céus, seguindo-se os helicópteros Allouette e os A109 que sobrevoaram os milhares de rostos embasbacados, e que sussurravam: “que grande força aérea que Bélgica tem para tão pequeno país!”

Mas o desfile estava longe de acabar. Após a pomposa marcha das delegações das 27 tropas dos Estados membros da UE, chegava o momento de aplaudir as tropas que estão destacadas no Kosovo, no Líbano e no Afeganistão. E ainda é difícil explicar a ascensão de partidos nacionalistas nas últimas eleições?

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