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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Governo turco entre a União Europeia, a religião e os militares PDF Versão para impressão
Produzido por Redacção de The Week   

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O governo turco continua a tentar encontrar o difícil caminho entre a estruturação política do país susceptível de facilitar a adesão à União Europeia (UE), a tentação islamita e a forte pressão militar no interior do formato institucional que ainda vigora. A semana que passou registou mais um episódio do processo, com a prisão de altos quadros militares no activo.

Um tribunal de Istambul emitiu sexta-feira uma ordem de prisão contra dois almirantes e cinco generais de vários ramos, todos eles no activo, acusados de envolvimento numa alegada conspiração para derrubar o governo em 2003. Quase 200 pessoas estão detidas no âmbito deste processo, que deverá começar a ser julgado em 16 de Dezembro.

O governo de Tayepp Erdogan, formado por um partido de tendência islamita, é o primeiro executivo eleito democraticamente que procura subordinar o poder militar ao poder político. Os militares turcos são responsáveis por quatro golpes de Estado desde os anos sessenta do século passado e consideram-se os garantes da laicidade do Estado que caracteriza o regime. Sectores militares têm acusado veladamente o governo em funções de pretender islamizar o Estado e de quebrar a separação tradicional em relação aos sectores religiosos. O primeiro ministro alega que as mudanças institucionais que pretende fazer não põem em causa a laicidade e se oruientam pela subordinação do poder militar ao poder político, essencial para que o figurino institucional do país seja adequado às negociações para integração na União Europeia.

Sectores de oposição que têm sido vítimas das ditaduras militares e que, ao mesmo tempo, defendem a laicidade do Estado, consideram que não só as forças armadas - um forte pilar da NATO - continuam a pretender ter um papel interveniente na política turca como o governo actual tem imposto, de facto, medidas que aumentam a influência religiosa, designadamente no sector da educação e dos direitos das mulhares.

Entre os militares detidos e que irão ser submetidos a julgamento estão três antigos chefes militares, agora na reserva: o general Cetin Dogan, ex-comandante do Exército; o almirante Ozden Ornek, ex-comandante da Marinha; e o ex-comandante da Força Aérea, Ibrahim Firtina. Estão sujeitos a penas que podem ir dos 15 a 20 anos de prisão.

Outra interrogação em torno deste processo relaciona-se com o comportamento que o sector judicial virá a ter, uma vez que, a par dos militares, se considera garante da laicidade do Estado.

 

 

 

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