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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

PPE apoia ataque ao maior partido da Moldávia PDF Versão para impressão
Produzido por José Goulão   

Direita do PE aceita tentativa de ilegalização do Partido dos Comunistas da Moldávia

GUE/NGL denuncia acção anti-democrática e censória que ataca um partido pró-europeu apoiado por metade da população do país

 

A direita europarlamentar aglutinada no Partido Popular Europeu (PPE) promoveu durante a semana em Bruxelas uma acção comemorativa intitulada "Moldávia: um ano depois da mudança pró-europeia". Descodificando a frase, os membros do PPE quiseram assinalar o primeiro aniversário da chegada ao poder da coligação Liberal Democrata, uma amálgama de partidos que se juntaram aritmeticamente e agora pretendem obrigar o maior partido da Moldávia, o Partido dos Comunistas da República da Moldávia, a mudar de símbolo, de nome, além de outras medidas restritivas. Conheça neste vídeo, através do diálogo entre a eurodeputada Marisa Matias, do grupo GUE/NGL, e o dirigente comunista moldavo Grigori Petrenko, as peripécias sobre um episódio anti-democrático que, com a cobertura de partidos do Parlamento Europeu, vem na esteira das recentes alterações constitucionais na Polónia que proibiram os símbolos e as designações comunistas.

O Partido dos Comunistas da República da Moldávia é uma organização nascida com a independência do país, ganhou a maior parte das eleições democráticas realizadas desde então e mantém-se como maior partido, com 48 deputados; a coligação Liberal Democrata formou-se para conseguir somar 52 deputados e afastar os comunistas do governo. Embora o PPE saúde a "mudança pró-europeia", fora o governo comunista anterior a apresentar a candidatura da Moldávia à União Europeia.

O GUE/NGL convidou Grigori Petrenko a deslocar-se a Bruxelas na mesma ocasião em que o PPE promoveu a sua acção comemorativa para que as instituições europeias tenham de facto conhecimento do que se passa na Moldávia. A intenção do actual governo da Moldávia de atacar legislativamente o Partido dos Comunistas viola grosseiramente a Carta Europeia, é anti-democrática, atenta contra a liberdade de expressão e contra o direito de eleger e ser eleito. O Partido dos Comunistas da República da Moldávia representa cerca de metade da população, como confirmou nas eleições de há um ano, e continua a ser, a grande distância, o maior partido do país. Grupos que conseguiram o apoio de metade da população pretendem agora forçar a ilegalização do partido que mereceu o apoio da outra metade da população. Além do silêncio das instituições europeias em relação a esta acção atentatória dos princípios democráticos elementares, verificou-se agora que o maior partido do Parlamento Europeu, o PPE, apoia implicitamente esses comportamentos - além disso contra um partido favorável à integração europeia e que tomou a iniciativa de abrir esse caminho. Tanto o silêncio das instituições europeias, a começar pela Comissão, como a atitude do PPE perante estas práticas não são novos uma vez que deixaram passar em claro a alteração constitucional na Polónia que proíbe símbolos, designações e organizações comunistas.

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