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Passos Coelho 2010-2011

A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro

Os sacrifícios não têm sido distribuídos com justiça e equidade

(Excertos de vídeo editado pelo blog Aventar)

Marisa Matias

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Hollande assume todo o poder em França PDF Versão para impressão
Produzido por The Week, 23&06/2012   

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Os socialistas de François Hollande garantiram folgada maioria absoluta na segunda volta das eleições gerais francesas e detêm agora o poder total num Parlamento que, devido às distorções do sistema eleitoral, tem 90 por cento dominados por dois partidos.

Depois de ter obtido menos de 30 por cento (29,22) na primeira volta, o Partido Socialista assegurou na segunda volta eleitoral realizada domingo um grupo parlamentar de 314 membros, correspondente a 54,1 por cento do Parlamento, que lhe permite governar sozinho só não dispondo de maioria suficiente para alterar a Constituição. Os socialistas subiram de 204 para 314 deputados.

A UMP direitista que sustentou a presidência de Nicolas Sarkozy sofreu nova derrota na sequência das presidenciais e tendo obtido 26,6 por cento na primeira volta, a três pontos dos socialistas, dispõe agora de 229 deputados contra os 320 que detinha. Ainda na noite eleitoral ouviram-se fortes críticas à opção pela estratégia eleitoral direitista assumida na sequência das eleições presidenciais e que terá deixado o campo do centro à mercê dos socialistas sem captar significativamente nos neofascistas.

Juntos, PS e UMP asseguram 90 por cento dos lugares do Parlamento apesar de representarem 55 por cento do eleitorado, o que traduz as distorções à proporcionalidade suscitadas pelo sistema uninominal, neste caso maioritário a duas voltas. A bipolarização política é o resultado mais evidente deste sistema.

A Frente de Esquerda, que teve sete por cento na primeira volta, obteve no total dez deputados, uma quebra em relação aos 24 da eleição anterior, na qual concorreu coligada com os Verdes. Estes tiveram agora 17 deputados embora a sua votação à primeira, 6,27 por cento, tenha sido inferior à da Frente de Esquerda, valendo neste caso uma coligação assumida com os socialistas.

Os neofascistas de Martine Le Pen, que tinham ficado à beira dos 14 por cento, fizeram eleger dois deputados, regressando assim ao Parlamento embora a chefe da organização tenha sido derrotada. Foi eleita uma neta de Le Pen e sobrinha de Martina, que passa a ser a deputada mais jovem da Assembleia Nacional .

Segolène Royal, antiga candidata presidencial socialista e François Bayrou, ex-candidato presidencial "centrista" pelo MoDem, não conseguiram ser eleitos nas suas circunscrições.

O nível de abstenção, 44 por cento, é um dos principais resultados das eleições, ilustrando o desencanto com o clima político do país.

Posição do PCF

Pierre Laurent, secretário nacional do PCF, uma das forças da Frente de Esquerda, sublinha numa declaração sobre os resultados que "a página do poder sarkozysta foi definitivamente virada" mas que a direita continua com muito poder no Parlamento e a entrada da Frente Nacional "é um sinal suplementar de alarme".

Pierre Laurent considera que a inversão do calendário eleitoral, com a realização em primeiro lugar das presidenciais, afectou a importância das legislativas "e deformou a paisagem da Assembleia Nacional em benefício do bipartidarismo".

Segundo o secretário nacional do PCF, "à esquerda a maioria legislativa é distorcida em relação à realidade da maioria de esquerda no país". O PS, explica, "totalizou 65 por cento dos votos de esquerda nas eleições presidenciais, perto de 70 por cento, com os seus aliados (nas duas voltas) nas legislativas e conquista mais de 90 por cento dos deputados de esquerda; a Frente de Esquerda totaliza 25 por cento de votos da esquerda nas presidenciais, 15 por cento nas legislativas (nas duas voltas) e tem menos de cinco por cento dos deputados da esquerda". Pierre Laurent conclui que se trata de "uma anomalia implacável que, de escrutínio em escrutínio, permitiu às duas maiores formações monopolizar hoje 90 por cento dos lugares da Assembleia".

Apesar "desta injustiça", declara o dirigente comunista, "a Frente de Esquerda, com a sua influência no país, com os seus dois grupos parlamentares – os seus eleitos no território e no Parlamento Europeu – considera ser uma força activa de iniciativas e propostas para concretização da mudança" em França.

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