| Alda Sousa: "A democracia está em profunda crise na Europa" |
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| Produzido por Nelson Peralta/The Week, 16/06/2012 | |||
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Alda Sousa é a nova deputada do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, integrada no Grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL). Em Estrasburgo, onde participa num dos seus primeiros plenários mas após algumas semanas em que se familiarizou com a intensidade do trabalho parlamentar, sobretudo a grande parte que não é tão visível como a participação nas comissões, a negociação, discussão e elaboração de relatórios e a actividade no exterior, fez uma primeira abordagem da sua experiência respondendo a perguntas de Nelson Peralta. Reflectiu sobre a União Europeia em geral, sobre o papel da esquerda perante a crise, sobre o papel dos eurodeputados e do Europarlamento, avaliou os sinais de esperança existentes e denunciou que no momento actual "a democracia está em profunda crise" na Europa. Entrevista de Nelson Peralta Para exemplificar esta afirmação, Alda Sousa citou o comportamento dos governos mais poderosos, e em especial o de Angela Merkel, em relação à Grécia. Salientou a propósito que momentos antes da entrevista Durão Barroso esteve no plenário parlamentar a afirmou que a Grécia continuará no euro se cumprir os compromissos com a troika, o que traduz uma ameaça ao país e aos eleitores no caso de votarem contra o memorando da troika no próximo domingo. Apesar do tom ameaçador, realçou Alda Sousa, "a União Europeia treme de medo com o que possa vir a acontecer na Grécia", sobretudo que "funcione como um dominó em toda a Europa". A questão grega, e as hipóteses de vitória da Syriza foram salientados pela eurodeputada como os principais sinais de esperança que existem no momento. Essa vitória, disse, poderia "ser determinante para fazer renascer a esperança em todo o mundo e na reconfiguração política na Europa". Em relação ao papel e propostas da esquerda, Alda Sousa defendeu que é necessário interligar as correntes como os movimentos sociais, a esquerda social e a esquerda política. Em termos de União Europeia, a eurodeputada afirmou que o problema não é o dinheiro "mas sim as prioridades que estão trocadas". Não pode acontecer que alguns países imponham decisões a todos os outros, está errado que seja "dada prioridade ao salvamento dos bancos" enquanto se insiste "na austeridade que provoca recessão, mais austeridade, mais recessão". Também tem que deixar de acontecer, realçou, que os Estados membros deixem de estar sujeitos à especulação dos mercados financeiros , "por exemplo o Banco Central Europeu tem que poder emitir títulos de dívida pública europeia e tem que poder emprestar dinheiro aos Estados membros para que estes deixem de estar reféns dos mercados".
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