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17% dos cidadãos da União Europeia vivem com recursos limitados e não conseguem satisfazer as suas necessidades básicas. Isto significa que mais de 80 milhões de europeus vivem em “risco de pobreza”, apesar da União Europeia ser uma das áreas mais ricas do mundo.
A pobreza é normalmente associada aos países pobres, onde a procura de alimentos e de água potável é um combate travado diariamente. Ainda que, com uma realidade um pouco distante do resto do mundo, a Europa é igualmente afectada pela pobreza e pela exclusão social.
No dia 21 de Janeiro entrámos oficialmente no Ano Europeu contra a Pobreza e a Exclusão Social. Um ano que começa com perspectivas negativas a nível do desemprego e das desigualdades sociais, mas em que a União Europeia atribui 17 milhões de euros para combater a pobreza nos vários Estados-Membros.
Vladimír Špidla, comissário para o emprego, assuntos sociais e igualdade de oportunidades disse que os “Europeus devem dar mais importância à solidariedade e à justiça social”, que são dois dos valores fundadores da união europeia. “A Europa, como um todo, só pode existir se o potencial de cada indivíduo for realizado e se não se basear somente no progresso colectivo e no evoluir dos indicadores económicos.
Uma em cada cinco crianças em “risco de pobreza”
Entre os 80 milhões de pessoas afectadas pela pobreza na UE, as crianças (0-17) são o maior grupo (20%*). Os lares de famílias monoparentais e com crianças dependentes são os que representam o maior “risco de pobreza”. Outros grupos de elevado risco são os jovens, com idades entre os 18 e os 24, e os idosos (19%), com uma maior incidência nas mulheres do que nos homens.
Ter emprego reduz “risco de pobreza”
O desemprego surge como um factor chave para as pessoas em “risco de pobreza”. Em 2008, a taxa de “risco de pobreza”, na Europa dos 27, variava entre 40% para pessoas desempregadas e 8% para aqueles que estavam no activo.
Estes dados são ainda mais preocupantes se considerarmos a situação de Portugal, cuja taxa de desemprego voltou a aumentar em Novembro. De acordo com dados do gabinete de estatísticas da União Europeia, a taxa portuguesa aumentou uma décima, de 10,2 para 10,3%. Este volta a ser o maior valor desde que há registo. Em Novembro de 2008, ou seja, um ano antes, a taxa estava nos 7,9%, o que traduz um aumento anual de 2,4 pontos percentuais. Embora esta subida acompanhe a tendência europeia, Portugal ocupa já o oitavo lugar na tabela da taxa de desemprego da UE.
Segundo o Eurostat, o desemprego é particularmente elevado entre os mais novos (até aos 25 anos), atingindo 21,4% na União Europeia. A Espanha lidera com 43,8% da população activa desta faixa etária no desemprego. Em Portugal, a taxa está nos 18,8%.
Objectivos e actividades do Ano Europeu
A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) considera que a UE ficou muito distante do objectivo do Milénio de erradicar a pobreza em 2010, mas espera que o Ano Europeu promova a cooperação entre os actores políticos, a sociedade civil e as organizações não governamentais que lutam contra a pobreza e a exclusão social. Os estereótipos e os estigmas devem desaparecer e aqueles que vivem em condições menos desfavoráveis devem ter a possibilidade de expressar as suas necessidades.
As actividades do Ano Europeu contra a Pobreza e Exclusão Social acontecerão um pouco por toda a Europa, com programas nacionais realizados por cada um dos 29 países (os 27 países do EU mais a Noruega e a Islândia).
A nível europeu, será organizada uma competição para jornalistas, uma iniciativa dedicada arte e duas semanas intensivas de actividades, em que se concentram os vários eventos nacionais em torno da UE.
(Todos os dados estatisticos apresentados neste artigo pertencem ao Eurostat entre Novembro de 2009 e Janeiro 2010)
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