Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".
A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net
A situação de Portugal ao cabo de um ano de aplicação das políticas de austeridade associadas ao resgate da troika é muito pior, este governo está a ter uma "política completamente fora de controlo" e o primeiro ministro quando tem alguma ideia "é com sotaque, normalmente com sotaque alemão". O retrato do país foi feito pela eurodeputada Marisa Matias na sua participação semanal no programa Conselho Superior da Antena Um.
Pierre Moscovici, novo ministro da Economia, Finanças e Comércio Externo de França, afirmou ao tomar posse que o seu país "não ratificará o tratado fiscal (de austeridade) sem um pacote de crescimento e que "a Grécia deve continuar a fazer parte da União Monetária". As declarações foram feitas já depois do recente encontro entre o presidente François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel.
O presidente da Comissão Europeia assinalou a marcação de novas eleições gregas para 17 de Junho com um conjunto de ameaças e pressões sobre os eleitores gregos, enquanto os meios financeiros descapitalizam o país através da retirada em massa de fundos dos bancos em direcção ao estrangeiro. Depois da cimeira franco-alemã em que Merkel e Hollande se declararam de acordo com a continuação de Atenas no euro mas em que Berlim reafirmou que as ordens da troika são para cumprir, as instituições europeias e os "mercados" multiplicam mensagens de que a alternativa será entre a austeridade e o caos, entre uma descida do poder de compra entre 10 a 20 por cento ou 50 por cento. O ministro alemão dos Estrangeiros, Guido Westerwelle, "explicou" aos eleitores da Grécia que a sua votação será para escolher se o país fica ou não no euro.
A eurodeputada Marisa Matias denunciou na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu o facto de, no essencial, as instituições europeias continuarem a seguir a regra segundo a qual se a política de austeridade "não funciona há que insistir".
Eurodeputados de uma delegação da Esquerda Unitária (GUE/NGL) que visitou a Irlanda afirmaram em Dublin que o tratado fiscal ou de austeridade será "uma catástrofe para a Europa".
Alexis Tsipras, presidente do Grupo Parlamentar da coligação de esquerda Syriza, retirou-se das negociações através das quais o presidente grego pretendia constituir um governo com base nos três partidos mais votados. "Procuram um cúmplice para prosseguir o seu trabalho catastrófico – não os ajudaremos a tê-lo", declarou Panos Skurletis, porta-voz do grupo. Os principais media europeus afectos à austeridade e às políticas neoliberais multiplicam entretanto cenários catastróficos para os gregos decorrentes da saída da Grécia do euro, que dão como certa. Até o habitualmente comedido The Guardian considera que os gregos são "alérgicos" à austeridade.
Os gregos vão voltar às urnas em 17 de Junho, depois de as últimas diligências presidenciais para formar governo terem fracassado apesar de os dois partidos da troika estarem, de novo, disponíveis para apoiar um governo de tecnocratas ou "notáveis" ao estilo do anterior de Papademos. O presidente Papulias formou entretanto um governo de transição dirigido pelo presidente do Conselho de Estado. e que terá como missão única preparar as eleições.
Os eleitores da Renânia do Norte-Westfália, o maior estado federado alemão, rejeitaram com grande amplitude as imposições fundamentalistas orçamentais do governo central da senhora Merkel ao alargarem a maioria dos partidos que defendem contrair empréstimos para fazer investimentos e promover o crescimento. A chefe do governo, que perde o ministro do Ambiente, que chefiava a candidatura da CDU no Estado, reconhece que a derrota é maior do que a esperada.
Bankia, um dos gigantes da banca espanhola nacionalizado na semana passada devido ao risco de falência, continua a perder valor, as acções caíram 70 por cento num ano e empurraram a Bolsa de Madrid para o nível mais baixo do ano.
O reforço dos capitais próprios dos bancos é importante para a sua estabilização, mas deve ter-se em conta que há bancos e bancos e não podem tratar-se da mesma maneira um pequeno banco público e um grande um banco transnacional que faz investimentos de alto risco, sublinhou o relator das Esquerda Unitária (GUE/NGL), Jurgen Klute, durante um debate na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu.
Mais de 50 membros e dirigentes de todas as instituições políticas europeias juntaram-se numa mensagem de esperança e de compromisso com a luta contra a homofobia e a transfobia dirigida sobretudo aos mais jovens.
Marisa Matias denunciou que "está montado um cerco à Grécia para criar à força um governo que aplique na prática as políticas de austeridade que o povo rejeitou". Na sua intervenção semanal no programa Conselho Superior da Antena Um, a eurodeputada salientou que não cabe ao ministro alemão das Finanças "dizer aos gregos qual vai ser o futuro da Grécia".
Inspirados pelos movimentos da Puerta del Sol em Madrid e Occupy Wall Street e reeditando as grandes manifestações de 15 de Outubro último, centenas de milhar de pessoas juntam-se sábado em centenas de cidades do mundo contra a crise e pela verdadeira democracia.
Miguel Portas foi homenageado no Parlamento Europeu pelo Parlamento Europeu numa cerimónia evocativa da sua "dimensão individual", do seu espírito solidário, das suas "convicções fortes", do seu humor, sorriso, sedução, de todos os elementos que constituem a marca deixada pelo eurodeputado no seu percurso de mais de oito anos na instituição. "Trabalhar no Parlamento Europeu", declarou Paulo Portas a encerrar a sessão, foi uma razão de viver de Miguel Portas e contribuiu para alongar os seus limites de sobrevivência na luta contra o cancro.