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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

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Produzido por Redacção de The Week   
Sábado, 26 Junho 2010 00:06

Como vos explicar isto? A crise chega à Europa em Setembro de 2008. Ao longo de todo o ano de 2009 as suas consequências económicas e sociais são indisfarçáveis. Uma quebra na produção na casa dos quatro pontos percentuais e cinco milhões de novos desempregados na União falam por si. Ao longo de todo esse ano, a preocupação primeira dos governos foi com a salvação do sistema financeiro.

Oitenta a noventa por cento dos recursos aplicados foi para aí que se dirigiram. Mas na Europa ainda "sobraram" 400 mil milhões de euros para "medidas anti-crise". Essas medidas explicam boa parte das diferenças entre 2009 e 1929. Na grande depressão do século passado, o Estado social era ainda uma aspiração do movimento operário. Na deste século, esse Estado encontra-se sob pressão, mas foi capaz de conter os efeitos mais destruidores da crise sobre a vida de milhões de pessoas.  

São exactamente as chamadas "medidas anti-crise" que estão a ser retiradas em 2010. Umas sustiveram indústrias tão decisivas como a do sector automóvel; outras evitaram despedimentos com financiamento público de políticas de redução de horário de trabalho e/ou a sua conversão em formação profissional; finalmente, outras ainda reforçaram alguns dos programas sociais dos Estados, em particular os subsídios de desemprego e de apoio à pobreza. Nada disto chegou, nada disto foi socialmente equilibrado e repartido, mas ainda foi melhor do que nada.

Mas agora, em 2010, tudo está a mudar. Porquê? Porque o desemprego diminuiu? Não. As estatísticas são claras, continua a crescer. Porque a retoma é uma realidade? Não. No planeta, só Vital Moreira se arrisca a proclamar o fim da crise.

Na verdade, do ponto de vista da vida das pessoas, 2010 é um ano ainda mais negro do que o que passou. Os governos não estão apenas a retirar as medidas de excepção. Estão a lançar uma cura de napalm sobre os Orçamentos de Estado e as economias. Investimento público, despesa social, salários e pensões estão a ser sujeitos a dieta sem equivalente nas últimas décadas. Por bem menos, houve países que nos idos de 80 e 90 sufocaram da receita. Uma nova onda recessiva é mais do expectável antes de 2011.

Bem pode Barak Obama passar meia hora ao telefone com a senhora Merkel, que é quem na realidade manda na Europa, e pedir-lhe para "não pisar demasiado cedo o travão das medidas anti-cíclicas". A dama de ferro alemã não quer ouvir. Como não quer ouvir a esquerda que no seu parlamento sustenta que a principal medida contra a crise na Europa deveria ser o aumento dos salários dos trabalhadores alemães. A verdade é esta: em matéria de economia, o Conselho Europeu a mando alemão é como o Vaticano com José Saramago em assuntos de costumes: ambos professam ortodoxias. De nada se esquecem e jamais aprenderão.