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Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

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Sábado, 12 Junho 2010 12:08

Os mortos estão enterrados. Os desaparecidos assim vão continuar em águas mediterrânicas vedadas a gestos piedosos. Os depoimentos de quem viveu para contar estão recolhidos e registados. As imagens que escaparam à saga censória terrorista guardam-se para memória futura porque a realidade actual não está preparada para os validar.

Os assaltantes da Frota da Liberdade ficam com a tarefa de fazer o inquérito ao sucedido e vão brevemente explicar-nos como tudo se passou, porque a ONU é “tendenciosa”. O mundo fará de conta que acreditará e tudo regressará, tranquilizadas as consciências dos diplomatas universais, à santa paz do Senhor.

O epílogo do episódio da Frota da Liberdade é uma espécie de empate técnico entre assaltantes e assaltados, entre assassinos e vítimas, entre corsários e abordados. O Conselho de Segurança da ONU deu o mote, por inspiração de Estados Unidos, Reino Unido e França, colocando no mesmo patamar de responsabilidades os que executaram a operação de guerra e os que, desconhecendo as boas regras da educação provavelmente porque muitos deles eram infiéis, não aceitaram que lhes entrassem assim pela casa dentro.

O equilíbrio salomónico das Nações Unidas não foi suficiente. Israel disse que não ao “inquérito internacional” e preferiu um “inquérito imparcial”. Para que indubitavelmente o seja, decidiu-se organizá-lo por sua conta e risco enquanto na Casa Branca manchada de crude o presidente Obama continua a recolher dados e a reflectir em silêncio. Quem fala é o seu vice Biden e mais valia que lhe seguisse o exemplo.

O episódio está encerrado para efeitos de grande consumo mediático porque Israel cuidou atempadamente que não se repita o efeito perturbador do relatório Goldstone, o tal que ousou acusar o país de ter graves responsabilidades no massacre de Gaza de 2008/2009. Agora, como escreveu o cônsul israelita em Nova Iorque a uma correspondente que pedia contenção perante a Frota da Liberdade, “não queremos que nada de mal aconteça à população de Gaza, apenas desejamos que viva tranquilamente as suas rotinas”. Aprisionada, é claro, mas isso não precisou de relembrar.

Permitam-me, porém, que em jeito de post-scriptum compartilhe duas reflexões ainda a pairar teimosamente na minha cabeça.

Estou curioso em saber como vai a NATO gerir o precedente que abriu em relação ao famoso artigo 5º do Tratado do Atlântico, o que reza “quando um de nós é atacado somos todos”. A Turquia, Estado membro e fundador da Aliança, foi atacada e nada aconteceu; mais do que isso: Estados Unidos, Reino Unido e França opuseram-se à Turquia no Conselho de Segurança da ONU. Nota zero em solidariedade.

Também me intriga pensar como foi possível a marinha Israel fazer uma operação desta envergadura nas barbas e sem conhecimento da VI Esquadra norte-americana com a qual coopera no Mediterrâneo no combate à pirataria e ao terrorismo. Passará por aqui o silêncio de Obama?