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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

O segredo da corda que não parte PDF Versão para impressão
Produzido por José Goulão   
Quinta, 25 Março 2010 14:57

A estratégia de Benjamin Netanyahu nas relações com a administração Obama parece, se os olhares forem pouco atentos, uma fuga para a frente ou até uma jogada suicida.

Nada disso.

O actual primeiro ministro de Israel transformou-se no político com mais poder em todos os assuntos do Médio Oriente. Ele enredou o imperador na sua própria teia.

Netanyahu estica a corda, diz-se. É verdade: mas pode esticá-la à vontade porque descobriu o segredo da corda que não parte.

De onde saiu este político que, no interior do cenário atrás descrito, merece que se lhe tire o chapéu por ser brilhante a executar o que se propôs fazer – tanto o que prometeu como, sobretudo, o que cala e vai realizando?

Netanyahu é o produto exemplar das circunstâncias em que assentam as relações entre os Estados Unidos e Israel. É um político israelita e, ao mesmo tempo, um político americano. Move-se com toda a ligeireza nos corredores de Washington e nos meandros das determinantes influências judaicas na política norte-americana. Com mais sagacidade até, eventualmente, do que nos labirintos retorcidos montados pela extrema direita israelita, laica ou fundamentalista religiosa. A sua formação fez-se na política norte-americana com doutoramento obtido no exercício do cargo de embaixador israelita nos Estados Unidos.

Em Português vernáculo, Netanyahu entalou Obama desde o primeiro momento. Como já tinha entalado Clinton, os Bush pai e filho, embora não se percebesse tanto porque estes nunca tiveram a veleidade de sugerir ao primeiro ministro de Israel qualquer coisa que ele não devesse fazer.

Netanyahu manipula o actual presidente dos Estados Unidos. Ali não há coincidências nem jogadas mal calculadas.

O chamado processo de paz estava morto quando Obama tomou posse e morto continua por muitas negociações indirectas que lhe injectem.

Os louros da liquidação das negociações directas e da herança pacifista de Isaac Rabin cabem a Benjamin Netanyahu muito mais do que a Ariel Sharon, embora ambos tenham estado bem visíveis – sobretudo através da mobilização trauliteira dos colonos – nos movimentos golpistas e de desestabilização que inviabilizaram o projecto de Rabin e que, em última análise, criaram as condições, pelo menos subjectivas, para o seu assassínio.

Quando a diplomacia norte-americana tirou agora da cartola a ideia das negociações indirectas – porque precisa de apresentar algo na questão israelo-palestiniana de modo a alargar apoios na campanha contra o Irão – Benjamin Netanyahu aderiu com enorme disponibilidade enquanto, na sombra, vai mexendo os cordelinhos das ameaças a Teerão.

Ao mesmo tempo surgiram, pingando com maestria mediática, as notícias de novos passos na colonização: 120 casas na Cisjordânia, 1600 em Jerusalém Leste, mais 20 em Jerusalém Leste...

Colonização sempre houve desde 1967, nunca foi interrompida, é um processo gradual de anexação dos territórios palestinianos, os tais onde, segundo se diz, deverá assentar o futuro Estado palestiniano, essa miragem flutuando sobre as áreas que em Israel são conhecidas, sem restrições, como Judeia e Samaria, parte implícita da nação judaica.

O aparecimento de notícias sobre a colonização obriga a Casa Branca e o Departamento de Estado a tomar posição para conseguirem arrastar a Autoridade Palestiniana à mesa das negociações indirectas. Pedem então, em coro, o congelamento da colonização.

Netanyahu responde que as construções na Cisjordânia são necessárias por questões de espaço vital dos colonatos existentes e que em Jerusalém Leste o problema não se coloca porque a zona faz parte da capital de Israel mesmo que as leis internacionais não o aceitem.

Obama, Biden, a senhora Clinton suplicam de novo o congelamento das construções acrescentando, num arremedo contemporizador, que nada disto põe em causa a relação privilegiada entre os Estados Unidos e Israel e o compromisso norte-americano com a segurança israelita.

Netanyahu agarra nesta deixa, empolga-a mediaticamente, diz que o fundamental é “construir confiança” entre as partes, acusa os palestinianos de intransigência e alguém lá atrás, nas camadas intermédias do poder israelita, anuncia mais construções...

Obama e a senhora Clinton sabem que não podem ir mais além do que suplicar burocraticamente o congelamento. O secretário geral da ONU e o Quarteto recitam banalidades. Netanyahu argumenta que se as negociações não recomeçam a culpa não é dele. Desde a segunda metade dos anos noventa que não tem feito outra coisa que não seja, de facto, entravar ou liquidar negociações dizendo que quer negociar. A verdade é que sem negociações, com a colonização e a criação de condições de vida impossíveis aos palestinianos através do bloqueio de Gaza e do muro da Cisjordânia, o governo de Israel não pode querer melhor cenário. Por este andar falar-se-á ainda em negociações quando já nada houver para negociar.

E se um presidente dos Estados Unidos, por absurdo, ousar romper o status quo e tomar uma atitude penalizadora contra Israel será ele a principal vítima do tumulto que provocará, estando as coisas no ponto a que chegaram.

Obama abriu o jogo com Netanyahu e mostrou-lhe os limites máximos da capacidade de manobra da Casa Branca em relação a Israel.

Netanyahu vai continuar a esticar a corda. Ele conhece o segredo da corda que não parte. Chapeau!