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Das eleições no Iraque chegam informações que transmitem uma falsa quase-normalidade. No Dia Internacional da Mulher a palavra às mulheres iraquianas, vítimas de uma violência que subsiste.
O Dia Internacional da Mulher comemora-se logo a seguir às eleições gerais iraquianas. Em muitos países do mundo, estas duas datas poderiam ser dois acontecimentos sem qualquer ligação entre si, mas no Iraque fazem parte da mesma realidade, ou talvez, do mesmo mito. Apesar de a Constituição do país atribuir os mesmos direitos aos dois sexos, e da lei das quotas prever 25% de candidatas e deputadas mulheres, a realidade da representação política é bem diferente. Das 1800 candidatas, cerca de 80 deverão ocupar um lugar no Parlamento, mas quantas destas terão realmente voz para exprimir as suas posições? "Quase nenhuma!", adverte Gona Saed, uma iraquiana que deixou o país para poder ter liberdade de expressão e para ajudar as mulheres que estão longe de a ter. “A realidade que se vive no Iraque não é a que chega à Europa através dos meios de comunicação. Vive-se uma violência chocante, que não é acidental. A violência que se vive aí é uma arma da guerra – as mulheres são forçadas a prostituir-se para conseguir comida e abrigo, são forçadas ao casamento e à gravidez, e os direitos que têm no papel não passam de meras formalidades”, afirmou a iraquiana. Gona trabalha no Centro do Médio Oriente para os direitos das Mulheres, em Londres, e conseguiu mudar a sua vida, estando legalizada desde há alguns anos, mas explica que muitas mulheres não têm esta sorte e vivem no país em condições cada vez mais degradantes desde a Guerra do Golfo: “’É verdade que nós não queríamos o Saddam, mas também não queríamos esta situação de violência e opressão. Nos anos sessenta, as mulheres do sul do Iraque podiam frequentar a universidade, usar trajes ocidentais e não eram obrigadas a esconder-se por detrás de um véu. Hoje houve um retrocesso dos direitos das mulheres e a culpa é da ocupação, que despertou sentimentos fundamentalistas e radicais.” Segundo a activista dos direitos das mulheres, a situação tornou-se ainda mais agressiva depois de 2003: “há grupos que atacam as mulheres nas ruas, violam-nas, torturam-nas e aterrorizam-nas. Outras são violentadas em casa, sofrendo mutilação genital ou outros tipos de violência. Socialmente, andam acompanhadas por um homem que as vigia constantemente (que pode ser o marido ou o irmão) mesmo quando concorrem a algum cargo político, que não é mais do que utilizá-las apenas para cumprir a quota obrigatória.” E se o tema dos direitos cívicos é descrito pelos norte-americanos como uma prioridade no processo de normalização política do país, Gona Saed considera que as tropas não costumam “ser enviadas para o terreno para ajudar à igualdade de género, mas quando têm interesses económicos”.
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