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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Gregos não se dão por vencidos PDF Versão para impressão
Segunda, 08 Março 2010 17:40

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Milhares de gregos continuam a responder com protestos à aprovação pelo Parlamento de um novo pacote de medidas de austeridade que atingem principalmente salários e pensões sociais.

A polícia carregou sobre manifestantes, como já fizera durante a anterior greve geral. O primeiro ministro Papandreu realiza entretanto viagens pelo estrangeiro pedindo apoios à sua estratégia contra o défice. Políticos da área governamental alemã sugerem que a Grécia venda algumas das suas ilhas desabitadas para fazer face à situação.

A maioria socialista do Parlamento de Atenas aprovou as medidas governamentais que impõem novas medidas contra o défice no valor de 4800 milhões de euros financiadas por cortes de salários, congelamento de pensões sociais, aumentos de impostos - sobretudo o IVA - e combate à evasão fiscal. Segundo o executivo de Papandreu, as medidas inserem-se nos esforços para baixar este ano o défice público de 12,7 por cento para nove por cento do PIB. Giorgios Papakonstantinou, ministro das Finanças, declarou que a adopção de medidas drásticas fica por aqui, numa altura em que o apoio maioritário à austeridade que as sondagens vinham anunciando começou a sofrer forte erosão. "Desta vez convenceremos os nossos parceiros de que dizemos a verdade", acrescentou o ministro.

Os estudos de opinião mais recentes revelaram que 90 por cento dos trabalhadores da Administração Pública se opõem a reduções da ordem dos 12 por cento nos 13º e 14º mêses. No exterior do sector metade dos inquiridos pronunciaram-se contra, situação que começa a minar a tese governamental segundo a qual a maioria da população era favorável às medidas de austeridade.

Os principais sindicatos gregos responderam à decisão parlamentar promovendo greves por sectores e anunciando desde já nova greve geral para a próxima quinta-feira, dia11. Na sexta-feira paralisaram os transportes públicos e as escolas, o funcionamento dos hospitais foi reduzido ao mínimo, os controladores aéreos solidarizaram-se, facto que provocou novos atrasos e cancelamentos de voos no aeroporto de Atenas.

A polícia voltou a carregar sobre manifestantes e utilizou gases lacrimogéneos. Uma das vítimas dessa acção foi Manolis Glezos, resistente da Segunda Guerra Mundial hoje com 87 anos, que se celebrizou por ter arriado a bandeira com a suástica da Acrópole em 1941. Foi hospitalizado devido ao efeito dos gases lacrimogénios.

Membros de alguns grupos que integraram as manifestações de protesto chegaram a agredir Giannis Panagoupoulos, presidente da Confederação Geral de Trabalhadores (GSEE), quando este fazia um discurso na zona do Parlamento. O dirigente sindical sofreu ferimentos ligeiros.

O Partido Comunista Grego (KKE) retirou-se do debate parlamentar anunciando a intenção de "continuar a luta nas ruas", segundo a secretária-geral, Aleka Papariga.

"Vendam as vossas ilhas"!

Depois da aprovação das novas medidas no Parlamento, o primeiro ministro Giorgios Papandreu iniciou visitas ao estrangeiro procurando angariar apoios que diz serem apenas "políticos" para a situação que vive o seu país. A primeira escala foi sexta-feira na Alemanha, país que se tem distinguido na União Europeia através da decisão de não apoiar financeiramente a luta contra o défice grego, facto que levou Atenas a levantar o velho contencioso entre os dois países sobre as díividas de guerra alemãs. Segundo a parte grega, a Alemanha apenas satisfez muito parcialmente, em 1960, as suas dívidas relacionadas com o ouro, o dinheiro e os bens gregos extorquidos durante a Segunda Guerra Mundial, mas Berlim diz que as contas estão encerradas. 

No meio da polémica, deputados da maioria governamental alemã sugeriram que a Grécia venda algumas das suas ilhas desabitadas para ajudar a pagar as dívidas. Josef Schlarman, deputado do partido Democrata Cristão de Merkel, e Frank Schaeffler, do Partido Liberal, defenderam que a Grécia deve vender o seu património para gerar receitas, opinião que levou o jornal sensacionalista "Bild" a titular em manchete: "Gregos falidos, vendam as ilhas e a Acrópole também". Os deputados fizeram declarações do mesmo teor à BBC propondo debates para encontrar as maneiras de a Grécia sair da crise. "Quem não consegue pagar aos credores tem que vender o que possui", disse Schlarmann ao mesmo tempo que apelou à chanceler para manter a recusa de apoio financeiro.

Depois da Alemanha, Papandreu esteve em França, onde recebeu de Sarkozy "apoio" para as suas medidas, embora esteja por definir com clareza o significado preciso desta palavra aplicada a este caso. Terça-feira estará nos Estados Unidos. O FMI continua a ser uma alternativa para Atenas e Sarkozy é um dos principais opositores a essa opção para não dar trunfos ao actual presidente do Fundo, Strauss-Khan, seu rival político na perspectiva das eleições presidenciais de 2012.

Analistas consideram entretanto que os mercados reagiram bem à emissão por bancos privados de títulos da dívida grega a dez anos, no valor de cinco mil milhões de euros. Segundo fontes do banco britânico HSBC, a esmagadora maioria dos títulos foi comprada por entidades estrangeiras: 33 por cento por alemãs e francesas, oito por cento por asiáticas e 23 por cento apenas por gregas.