| Portugal em estado de calamidade |
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| Segunda, 20 Fevereiro 2012 18:20 | |||
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Mais de um milhão de desempregados, sendo a taxa mais alta na região de turismo por excelência e negócios públicos ruinosos em favor do privado, tal é o estado de Portuga exposto por Miguel Portas. Portugal é hoje o país que já tem cerca de um milhão de desempregados, problema que se verifica em maior escala na região turística por excelência e no qual, ao mesmo tempo, se registam desvios da ordem dos 300 milhões de Euros em negócios como os das parcerias público privadas nos quais o Estado tem de pagar aos privados quando os resultados ficam abaixo dos esperados. Tal foi o retrato da realidade portuguesa feito por Miguel Portas na sua intervenção semanal no programa Conselho Superior da Antena Um. Comentando a taxa de 14 por cento de desemprego anunciada pelo INE, a maior de sempre e que equivale a 770 mil pessoas inscritas como estando sem emprego, o eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda sublinhou que a realidade vai além disso porque, como o próprio Instituto Nacional de Estatística reconhece, há mais cerca de 200 mil desempregados não declarados, sobretudo de longa duração e que já desistiram de contar com o apoio público para procurar trabalho. Sendo assim, a taxa real de desemprego aproxima-se dos 20 por cento. Um em cada três jovens está desempregado, revelam igualmente as estatísticas, mas também esse número, já de si assustador, é “enganador”, segundo Miguel Portas, porque “não contabiliza os jovens em estágios gratuitos ou miseravelmente pagos nem em situação de sub-emprego ou na economia informal”. Daí, acrescentou o eurodeputado, “que estejamos perante uma geração que não tem presente e que, tudo indica, vai passar ao lado do futuro”. Miguel Portas salientou ainda que, pela primeira vez, o Algarve é a região do país com mais elevada taxa de desemprego, 17,5 por cento. Esta situação é fruto da baixa turística interna e europeia e que só pode solucionar-se “mudando de política ou contando com os charters que vêm da China, o que não acontece”. Ou seja, acrescentou o eurodeputado, “um país não pode ser só sol de maneira nenhuma”. Perante tudo isto, lembra Miguel Portas, o governo pretende que “a flexibilização do trabalho” seja a solução para o país, “quando os números na Europa dizem exactamente o contrário”. O eleito do BE considera que “embaratecer o trabalho, retirar direito ao trabalho ou facilitar os despedimentos num contexto de crise não cria emprego; só há uma resposta para o desemprego: crescimento económico”. Para ilustrar as suas conclusões Miguel portas citou o resultado de um inquérito feito pela Comissão Europeia às pequenas e médias empresas da União e no qual os custos do trabalho surgem apenas como a quinta preocupação dos empresários. A primeira é a falta de clientes, que decorre da crise; a segunda é a falta e custo do crédito, que decorre da crise; e a terceira é gestão e organização, relacionada com o acesso a quadros qualificados. “Todas as medidas que incidam na liberalização do mercado de trabalho não só não criam emprego como facilitam os despedimentos e por isso atiram ao lado”, disse Miguel Portas, pelo que se não houver inflexão de política a barreira do milhão de desempregados declarados pode ser ultrapassada até ao fim deste ano. Como se não bastasse, o Estado regista desvios de 300 milhões de Euros em seu desfavor no negócio das parcerias público privadas, a aliança em que o risco fica sempre do lado do Estado, portanto dos contribuintes, e o lucro do lado dos privados. Isto é, explicou Miguel Portas, “quando os resultados ficam abaixo do previsto, o Estado tem de compensar os privados; quando os resultados ficam acima, os privados não compensam o Estado”. Para Miguel Portas, é “muito mais barato nacionalizar as parcerias público privadas do que estar a pagar esta pouca vergonha”. Solução avançada pelo eurodeputado: “nacionaliza-se a empresa e faz-se o contrato”.
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