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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Portugal em estado de calamidade PDF Versão para impressão
Segunda, 20 Fevereiro 2012 18:20

Mais de um milhão de desempregados, sendo a taxa mais alta na região de turismo por excelência e negócios públicos ruinosos em favor do privado, tal é o estado de Portuga exposto por Miguel Portas.

Portugal é hoje o país que já tem cerca de um milhão de desempregados, problema que se verifica em maior escala na região turística por excelência e no qual, ao mesmo tempo, se registam desvios da ordem dos 300 milhões de Euros em negócios como os das parcerias público privadas nos quais o Estado tem de pagar aos privados quando os resultados ficam abaixo dos esperados. Tal foi o retrato da realidade portuguesa feito por Miguel Portas na sua intervenção semanal no programa Conselho Superior da Antena Um.

Comentando a taxa de 14 por cento de desemprego anunciada pelo INE, a maior de sempre e que equivale a  770 mil pessoas inscritas como estando sem emprego, o eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda sublinhou que a realidade vai além disso porque, como o próprio Instituto Nacional de Estatística reconhece, há mais cerca de 200 mil desempregados não declarados, sobretudo de longa duração e que já desistiram de contar com o apoio público para procurar trabalho. Sendo assim, a taxa real de desemprego aproxima-se dos 20 por cento.

Um em cada três jovens está desempregado, revelam igualmente as estatísticas, mas também esse número, já de si assustador, é “enganador”, segundo Miguel Portas, porque “não contabiliza os jovens em estágios gratuitos ou miseravelmente pagos nem em situação de sub-emprego ou na economia informal”. Daí, acrescentou o eurodeputado, “que estejamos perante uma geração que não tem presente e que, tudo indica, vai passar ao lado do futuro”.

Miguel Portas salientou ainda que, pela primeira vez, o Algarve é a região do país com mais elevada taxa de desemprego, 17,5 por cento. Esta situação é fruto da baixa turística interna e europeia e que só pode solucionar-se “mudando de política ou contando com os charters que vêm da China, o que não acontece”. Ou seja, acrescentou o eurodeputado, “um país não pode ser só sol de maneira nenhuma”.

Perante tudo isto, lembra Miguel Portas, o governo pretende que “a flexibilização do trabalho” seja a solução para o país, “quando os números na Europa dizem exactamente o contrário”. O eleito do BE considera que “embaratecer o trabalho, retirar direito ao trabalho ou facilitar os despedimentos num contexto de crise não cria emprego; só há uma resposta para o desemprego: crescimento económico”.

Para ilustrar as suas conclusões Miguel portas citou o resultado de um inquérito feito pela Comissão Europeia  às pequenas e médias empresas da União e no qual os custos do trabalho surgem apenas como a quinta preocupação dos empresários. A primeira é a falta de clientes, que decorre da crise; a segunda é a falta e custo do crédito, que decorre da crise; e a terceira é gestão e organização, relacionada com o acesso a quadros qualificados.

“Todas as medidas que incidam na liberalização do mercado de trabalho não só não criam emprego como facilitam os despedimentos e por isso atiram ao lado”, disse Miguel Portas, pelo que se não houver inflexão de política a barreira do milhão de desempregados declarados pode ser ultrapassada até ao fim deste ano.

Como se não bastasse, o Estado regista desvios de 300 milhões de Euros em seu desfavor no negócio das parcerias público privadas, a aliança em que o risco fica sempre do lado do Estado, portanto dos contribuintes, e o lucro do lado dos privados. Isto é, explicou Miguel Portas, “quando os resultados ficam abaixo do previsto, o Estado tem de compensar os privados; quando os resultados ficam acima, os privados não compensam o Estado”.

Para Miguel Portas, é “muito mais barato nacionalizar as parcerias público privadas do que estar a pagar esta pouca vergonha”. Solução avançada pelo eurodeputado: “nacionaliza-se a empresa e faz-se o contrato”.