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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Itália anuncia ataque aos direitos laborais PDF Versão para impressão
Terça, 24 Janeiro 2012 18:20

montiprotestos01

 O governo italiano do tecnocrata Mario Monti monta o plano de austeridade imposto por Bruxelas com o horizonte de um mês: depois da liberalização ao estilo da Grécia começou o ataque ao mercado de trabalho.

A ministra responsável pela pasta do Trabalho, Elsa Fornero, recusou-se a entrar em pormenores sobre o plano de reforma do mercado laboral limitando-se a informar que assenta no conceito de “flexisegurança” que serve de mote a todos os governos da Zona Euro. Evitar os trabalhadores “demasiado protegidos” para apoiar os “privados de protecção” é o único segredo desvendado pela ministra além das medidas que já são conhecidas por estarem a ser sucessivamente anunciadas noutros países: facilitar os despedimentos e reduzir as indemnizações por despedimento e os subsídios de desemprego, além de “flexibilizar” os horários de trabalho.

Segundo as contas do governo divulgadas pela ministra, as medidas relacionadas com o mercado de trabalho e a liberalização da economia vão proporcionar um aumento de produtividade em 10 por cento e um aumento do PIB também em 10 por cento. As intenções governamentais italianas estão a ser aplicadas na mesma ocasião em que a Organização Internacional de Trabalho divulga um relatório segundo o qual estas medidas, replicadas das aplicadas na Alemanha desde 2003 dentro do conceito de “flexisegurança”, estão na origem da crise da Zona Euro.

A liberalização da economia anunciada pelo governo Monti é uma reprodução da adoptada na Grécia há ano e meio e que, além de ter agravado o problema da dívida soberana lançou o caos social no país. Trata-se de abrir à concorrência numerosos sectores como táxis, farmácias, transportes públicos locais, correios, seguros, bancos, postos de combustíveis, uma privatização acelerada do país.

Tal como aconteceu na Grécia, facto que marcou a aceleração da desestabilização que se tornou o quotidiano do país, vários destes sectores como táxis e outros transportes, escritórios de advogados, farmácias, distribuidores de combustíveis entraram em greve e adoptaram outras formas de luta como protesto. A Fedefarma, associação de farmacêuticos, prometeu já a adopção de “formas extremas de contestação”.