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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Esquerda Europeia mobiliza-se contra "estabilidade" neoliberal PDF Versão para impressão
Quarta, 03 Março 2010 14:32

Participação activa na Jornada Europeia contra a Crise marcada para 24 de Março

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A Esquerda Europeia apoia a Jornada Europeia de Acção contra a crise convocada para 24 de Março e contrapõe um conjunto de medidas alternativas aos programas neoliberais de "estabilidade" em que a prioridade é a defesa do emprego, dos salários e das pensões. As decisões estão integradas na declaração final da reunião dos partidos de esquerda do Sul da Europa realizada em Atenas.

O documento adoptado na capital grega propõe que durante as jornadas de mobilização de 24 de Março promovidas pelos sindicatos europeus seja adoptada a palavra de ordem comum: "O Povo Europeu não vai pagar a crise! Vamos unir-nos por uma Europa Solidária!". As quatro medidas defendidas pela Esquerda Europeia como alternativa aos programas neoliberais de "estabilidade" que os governos da União tentam impor são: a defesa do emprego, dos salários e das pensões como principal prioridade de todas as instituições europeias; taxação de todas as transacções especulativas e abolição dos paraísos fiscais existentes no território europeu; criação de uma agência pública europeia de rating, uma vez que os países têm de deixar de ser reféns das agências privadas de rating, que servem os interesses especulativos; lançamento dos eurobonds, o que permitirá aos Estados membros contrair empréstimos a taxas de juro razoáveis.

"Não aceitamos a justificação dos governos dos países da Zona Euro, do FMI e do Banco Mundial de que a estabilidade do euro exige duras medidas de austeridade", salienta a declaração de Atenas. "Todas estas políticas defendem os interesses capitalistas e aumentam o desemprego e a pobreza através de toda a União Europeia enquanto ao mesmo tempo os bancos privados são ajudados pelos governos nacionais e pelo Banco Central Europeu com biliões de euros. Não há saída estratégica para a crise", acrescenta a Esquerda Europeia, "sem o reforço da economia real e do emprego, sem mais justiça na distribuição dos rendimentos, sem democratização do poder e da propriedade como condição para mobilizar os fundos públicos".

Os partidos de esquerda da Europa do Sul declararam em Atenas  qus "os problemas gregos, portugueses ou espanhóis não são problemas nacionais; são um problema europeu que põe em causa toda a construção neoliberal da União Europeia". Além disso, sublinha a declaração, "os governos da Grécia e de outros países, principalmente do Sul da Europa, estão sujeitos a programas de estabilidade com aumento das taxas do IVA, privatização das pensões, cortes nos direitos sociais enquanto os bancos e as grandes empresas tão tratados muito mais favoravelmente do que no passado. Ao mesmo tempo, as margens de lucro dos principais bancos privados europeus crescem constantemente devido à diferença das taxas de juro dos seus empréstimos no Banco Central Europeu (cerca de 1%) e os preços dos títulos de governos que eles compram (6 a 7 por cento no caso da Grécia)". Por isso, sublinham os partidos de esquerda da Europa do Sul, "reclamamos uma séria e profunda refundação da União Europeia e das suas políticas económica e social".

No contexto da estratégia geral adoptada em Atenas, conforme se lê na declaração, "os partidos da Esquerda Radical do Sul da Europa e a Esquerda Europeia decidem intensificar imediatamente a sua coordenação conttra os efeitos da crise. Ao mesmo tempo, apelam a outras forças políticas, sindicatos, movimentos sociais e intelectuais progressistas da Europa para agirem em conjunto uma vez que o problema da crise não é nacional, é um problema europeu e global".

Nas acções do próximo dia 24, a Esquerda Europeia propõe-se organizar múltiplas acções comuns em várias cidades europeias, especialmente nas capitais da Europa do Sul, apresentando as suas exigências e medidas programáricas no contexto do programa do Partido da Esquerda Europeia.