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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Miguel Portas: a Grécia sob a pata do governo alemão PDF Versão para impressão
Terça, 21 Fevereiro 2012 17:41

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O eurodeputado Miguel Portas integra a delegação de nove membros do grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL) que de quarta a sexta-feira visita a Grécia para se inteirar da situação em que o diktat europeu, sob comando alemão, está a deixar aquele país. “O projecto europeu está a ser destruído pelo governo alemão”, declarou Miguel Portas antes da partida, sublinhando não apenas o conteúdo das medidas que estão a ser impostas a Atenas mas também a forma como elas vão ser aplicadas. "O que temos agora é uma situação absolutamente extraordinária, segundo  a qual, o ministro das Finanças alemão já está a dizer que só haverá segundo  resgate à Grécia se houver adiamento das eleições”, previstas para Abril, denunciou o eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda.

A Grécia humilhada, hipotecada e ocupada

A delegação do GUE/NGL integra elementos de Portugal, França, Alemanha, Irlanda e Chipre e deverá avistar-se com partidos políticos que se opõem à austeridade e à tutela estrangeira, representantes de organizações de trabalhadores e da sociedade civil.

Os eurodeputados da Esquerda Unitária no Parlamento Europeu têm denunciado em permanência, e desde o início, que a austeridade está a empurrar a Grécia para uma crise cada vez mais profunda, com repercussões gravíssimas no desemprego, no aumento da pobreza e numa situação de desastre que afecta milhões de pessoas.

“O projecto europeu está a ser destruído pelo governo alemão”, declarou Miguel Portas fazendo uma abordagem mais abrangente do que está a acontecer na Grécia. “ A ideia  de projecto europeu que continha, tal como Portugal quando aderiu à Europa, uma promessa de convergência entre os mais pobres e os mais ricos e entre  as nações mais atrasadas e mais desenvolvidas, está a ser traída todos os  dias pelo governo alemão que põe e dispõe da Europa a seu bel-prazer", acrescentou o eurodeputado, que concorda com a resposta do presidente da República grego,  antigo resistente contra a ocupação alemã, e que atacou  o ministro das Finanças alemão pelas criticas que Wolfgang Schauble fez  à Grécia.  

"Eu se fosse grego e estivesse submetido à chantagem a que a Grécia  está submetida, que é uma chantagem que já chegou ao ponto de mudarem o  governo, que não foi eleito por rigorosamente ninguém e se eu fosse um grego  que até tivesse sido da resistência anti-nazi e anti-fascista confesso que  teria um desabafo muito similar ao do presidente da República grega", disse  Miguel Portas. 

Para Miguel Portas, a pressão da "troika" constituída pelo Fundo Monetário  Internacional, o Banco Central Europeu e a União Europeia é "inaceitável"  e acusa a Alemanha de "coordenar" o ataque ao país. "O que temos agora é uma situação absolutamente extraordinária, segundo  a qual, o ministro das Finanças alemão já está a dizer que só haverá segundo  resgate à Grécia se houver adiamento das eleições. Ou seja, se a democracia  for suspensa ou então, o que é previsível, existindo eleições e não havendo uma maioria política para aprovar as exigências da 'troika', Berlim pode  aproveitar este pretexto para colocar a Grécia fora de jogo e fora do euro",  afirmou o eurodeputado do Bloco de Esquerda. 

"Temos tentado denunciar e alterar o sentido destas políticas mas o  problema é que existe uma maioria de direita no Parlamento Europeu e muitas  vezes essa maioria de direita conta ainda também com a cobertura do grupo  socialista. O problema é que a política que domina é a política imposta  por Berlim e que diz que todo o problema europeu é um problema de falta  de disciplina dos países do Sul no incumprimento das suas metas orçamentais",  disse ainda Miguel Portas.