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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

A Origem e a ideia de Al-Mu'tasim PDF Versão para impressão
Terça, 31 Agosto 2010 18:50

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O filme A Origem, de Christopher Nolan, não é nenhum tratado sobre a origem das ideias mas explora bem a nossa imagem moderna sobre o assunto. Uma abordagem de Tiago Ivo Cruz.

Começar por entender uma Ideia como entidade. Um corpo autónomo cujo único propósito é expandir-se, ganhar espaço, eliminar outras ideias se necessário, conjugar-se com outras das mais variadas formas para sobreviver. Em geral, acreditamos ser criadores de uma ideia e chegamos mesmo a imprimir uma posse de autoria a uma ideia, sem dúvida para ela não nos fugir. Se ela for muito boa, temos cuidado em não falar às pessoas erradas sobre essa ideia, para não a deixar escapar ou perder a sua virtude e potencialidade sobre a qual só nós a conseguiremos construir. Pois uma ideia tem esse poder extraordinário, consegue tornar-nos os veículos orgulhosos de algo que não nos pertence nem em geral conseguimos controlar. Algumas ideias são particularmente virulentas. A ideia de um ser superior, um Deus, ganhou espaço em praticamente todo o mundo, de variadas formas e, pelo meio da sua longa história conseguiu ainda atacar outra ideia, a de vários deuses.
E é extraordinário o quão resilientes algumas ideias podem ser. Apesar da descoberta do método científico e de todas as novas ideias e processos abertos por esta conquista humana a ideia de Deus subsiste.
O filme A Origem, de Christopher Nolan, não é nenhum tratado sobre a origem das ideias mas explora bem a nossa imagem moderna sobre o assunto. Começa com a seguinte questão: “Qual é o parasita mais resistente? O parasita mais resistente é uma ideia. Uma ideia cresce dentro de nós, faz o mundo girar e tem o potencial de o destruir tal como nós o conhecemos.” A partir daqui partimos para uma viagem de entropia e colapso entre vários planos de consciência. Mundos literalmente construídos pela força da imaginação, com pouco respeito pelas leis do espaço e do tempo, por onde os personagens se movem. Uma ambiência que lembra Les Cités Obscures criadas por Schuiten & Peters, e uma acção explosiva e bem construída digna de Matrix. Nem os diálogos nem a construção dramática escapam ao cliché habitual norte americano, a relação entre filho e a figura do Pai (o colonialismo deixa marcas profundas). Felizmente os actores são muito bem escolhidos. Mas é a exploração dos mundos entrópicos, de planos que existem dentro de outros planos, como forma de representar o nosso consciente moderno que mais impacto deixa, porque actualiza as nossas questões e imagem identitária. Uma pessoa tem hoje pelo menos um computador, normalmente mais um no trabalho, mais um telemóvel inteligente, talvez mais um iPad. A nossa informação espalha-se por estes diferentes suportes e, somos assim fraccionados em diferentes entidades, num processo impossível de controlar pois ainda dentro de cada suporte teremos ainda imagens diferentes da mesma informação. A nossa identidade é hoje formada de planos dentro planos, uma entropia interminável cuja origem não conseguimos determinar.
Em El acercamiento a Al-Mu’tasim Jorge Luís Borges explora o que seria a procura pela origem. Um advogado que comete homicídio não premeditado decide procurar o homem perfeito Al-Mu’tasim e, embarca por uma viagem de pista em pista que muitas vezes não passam de um sorriso, uma frase ou uma imagem que lhe indica o próximo passo até à origem.