Se tivesse que seleccionar o acontecimento político deste verão, seria certamente o da deportação de ciganos para o Kosovo, a Roménia e a Bulgária. Tudo começou pianinho, em Abril, quando o governo alemão impôs ao seu protectorado kosovar um acordo para o acolhimento de 14 mil ciganos.
Documentos agora conhecidos revelam actos passíveis de ser considerados "crimes de guerra", afirma Julien Assange, editor do Wikileaks
"Cidadãos devem reclamar, ainda com maior veemência, explicações sobre o que as tropas estrangeiras estão a fazer no Afeganistão", propõe Miguel Portas
A leitura atenta de muitas das informações contidas nos documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão tornados públicos pelo site Wikileaks (http://wikileaks.org/) revela bastante mais do que pormenores operacionais: transmite a certeza de que estamos perante uma sangrenta agressão colonial sem princípios, onde é possível desde já detectar actos passíveis de ser considerados como "crimes de guerra", segundo Julien Assange, fundador e editor do site. "Apesar de conhecermos, desde o início, o carácter injusto, expansionista e mistificador desta invasão em que estão envolvidos os países da União Europeia, a divulgação destes documentos - um exercício de direito à informação - impõe que os cidadãos reclamem dos seus governos, ainda com maior veemência, explicações claras e sem rodeios sobre o que as tropas dos mossos países estão a fazer em terras afegãs", comentou Miguel Portas, eurodeputado da Esquerda Unitária GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda.
Os serviços de espionagem interna da Alemanha, designados como Gabinete de Protecção da Constituição, foram autorizados pelo Tribunal Federal Administrativo a espiar o Partido da Esquerda (Die Linke), organização representada em 13 dos 16 Parlamentos dos Estados Federais do país e no Parlamento Europeu, onde tem oito deputados integrados no grupo da Esquerda Unitária GUE/NGL. Segundo o tribunal, correntes deste partido "têm objectivos anticonstitucionais".
A onze meses das eleições presidenciais, com o seu ministro do Trabalho alegadamente envolvido num escândalo político-fiscal e com o mais baixo índice de popularidade de sempre, o presidente francês, Nicholas Sarkozy, endureceu o discurso contra os cidadãos de ascendência estrangeira como tentativa para recuperar apoio. A estratégia parte do princípio de que a sua eleição como presidente assentou num discurso nacionalista com ressonâncias xenófobas.
Guerra contra Fini pode romper a maioria de direita e provocar eleições antecipadas
A maioria governamental italiana entrou em crise na sequência do confronto institucional entre os dois principais pólos: o primeiro ministro Silvio Berlusconi e o presidente da Câmara de Deputados, Gianfranco Fini. A ameaça de cisão no partido Povo da Liberdade faz com que se fale na possibilidade de eleições antecipadas, uma vez que o chefe do governo decuidiu expulsar o seu aliado.
Serviço Europeu de Acção Externa nasce com veia militarista
A Esquerda Unitária no Parlamento Europeu, grupo GUE/NGL, votou contra o relatório parlamentar relacionado com a instituição do Serviço Europeu de Acção Externa por considerar que o processo não tem em conta o papel do Parlamento como único órgão eleito da União Europeia e mistura erradamente estruturas civis e pessoal militar. Temos a certeza, declarou Willy Meyer, eurodeputado do GUE, de que "o Parlamento Europeu não terá a última palavra sobre o controlo do funcionamento desse serviço".
Há cerca de um ano atrás, uma equipa de sociólogos, coordenada por Manuel Villaverde Cabral, apresentou um estudo sobre os portugueses e o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Ele mostrava que o número de cidadãos a recorrer aos serviços públicos continuava a aumentar, independentemente do crescimento de unidades de medicina privada. Ao mesmo tempo, era nítida a queda do número de pessoas sem médico de família, inferior a dez por cento.
Três jovens de três nações europeias geograficamente bem distantes, vários problemas que deterioram cada vez mais os sistemas públicos de educação e um elemento comum a todos eles: os resultados catastróficos provocados pelas opções neoliberais nas escolas públicas. Conheça os casos de Portugal, Grécia e Moldávia.
Os deputados da delegação do Parlamento Europeu para o Conselho Nacional Palestiniano (CNP) foram informados de que o governo israelita retirou a naturalidade de Jerusalém e deportou três deputados palestinianos daquele órgão e um antigo membro do governo de Ramallah. Estas medidas violam a legalidade internacional em relação ao estatuto de Jerusalém Leste e os acordos israelo-palestinianos sobre as eleições para o Conselho Legislativo Palestiniano. Marisa Matias, membro do grupo da Esquerda Unitária GUE/NGL e da citada delegação parlamentar, considera que a decisão tem como objectivo sublinhar a irreversibilidade da anexação ilegal de Jerusalém Leste pelo governo israelita.
O governo turco continua a tentar encontrar o difícil caminho entre a estruturação política do país susceptível de facilitar a adesão à União Europeia (UE), a tentação islamita e a forte pressão militar no interior do formato institucional que ainda vigora. A semana que passou registou mais um episódio do processo, com a prisão de altos quadros militares no activo.