| Governo turco entre a União Europeia, a religião e os militares |
|
|
| Written by Redacção de The Week | |||
|
O governo turco continua a tentar encontrar o difícil caminho entre a estruturação política do país susceptível de facilitar a adesão à União Europeia (UE), a tentação islamita e a forte pressão militar no interior do formato institucional que ainda vigora. A semana que passou registou mais um episódio do processo, com a prisão de altos quadros militares no activo. Um tribunal de Istambul emitiu sexta-feira uma ordem de prisão contra dois almirantes e cinco generais de vários ramos, todos eles no activo, acusados de envolvimento numa alegada conspiração para derrubar o governo em 2003. Quase 200 pessoas estão detidas no âmbito deste processo, que deverá começar a ser julgado em 16 de Dezembro. O governo de Tayepp Erdogan, formado por um partido de tendência islamita, é o primeiro executivo eleito democraticamente que procura subordinar o poder militar ao poder político. Os militares turcos são responsáveis por quatro golpes de Estado desde os anos sessenta do século passado e consideram-se os garantes da laicidade do Estado que caracteriza o regime. Sectores militares têm acusado veladamente o governo em funções de pretender islamizar o Estado e de quebrar a separação tradicional em relação aos sectores religiosos. O primeiro ministro alega que as mudanças institucionais que pretende fazer não põem em causa a laicidade e se oruientam pela subordinação do poder militar ao poder político, essencial para que o figurino institucional do país seja adequado às negociações para integração na União Europeia. Sectores de oposição que têm sido vítimas das ditaduras militares e que, ao mesmo tempo, defendem a laicidade do Estado, consideram que não só as forças armadas - um forte pilar da NATO - continuam a pretender ter um papel interveniente na política turca como o governo actual tem imposto, de facto, medidas que aumentam a influência religiosa, designadamente no sector da educação e dos direitos das mulhares. Entre os militares detidos e que irão ser submetidos a julgamento estão três antigos chefes militares, agora na reserva: o general Cetin Dogan, ex-comandante do Exército; o almirante Ozden Ornek, ex-comandante da Marinha; e o ex-comandante da Força Aérea, Ibrahim Firtina. Estão sujeitos a penas que podem ir dos 15 a 20 anos de prisão. Outra interrogação em torno deste processo relaciona-se com o comportamento que o sector judicial virá a ter, uma vez que, a par dos militares, se considera garante da laicidade do Estado.
|









