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Primeiro ministro de Portugal, 06/02/2012

Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas
Miguel Portas

O power point

O Conselho Europeu de fim de Janeiro incluiu na sua agenda a palavra maldita dos últimos dois anos: “crescimento”. Terão os 27 chefes de Estado e de governo da União mudado de ideias? Convenceram-se que, afinal, temos um problema de crescimento? Entraram no campeonato do relançamento económico? Sabem, ao menos, se ele é compaginável com a austeridade?


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Mil Palavras

Parlamento da Polónia, Janeiro de 2012

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Protesto de deputados contra o tratado ACTA e a censura na internet

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Relatório da Liga Árabe sobre a Síria

O chefe da delegação da Liga Árabe que se deslocou aos principais focos da guerra civil na Síria elaborou um relatório que está a ser silenciado pela presidência da organização, assumida pelo Qatar. A delegação foi constituída por representantes de todos os países membros e do relatório apenas se dissociaram os enviados da Arábia Saudita, um dos países com menos legitimidade para se pronunciar sobre comportamentos ditatoriais. Versão inglesa; versão francesa.

Contra o vandalismo climático PDF Print
Written by Helena de Carvalho   

Da Conferência "O Clima Farto de Nós?", Lisboa, Março de 2010

Foto de Paulete Matos

Foto de Paulete Matos

 

A crise climática a que hoje assistimos ainda não é um resultado da acção do homem, mas um mero sintoma daquilo que está para acontecer. A questão de haver crescimento económico seria irrelevante perante um desastre ecológico global. Então porque contradizemos os sinais do nosso mundo e não salvamos os nossos filhos e os nossos netos? Numa tentativa de responder às preocupações causadas pelas mudanças climáticas e de tentar encontrar uma solução urgente e eficaz, o Bloco de Esquerda e a Esquerda Europeia organizaram em Lisboa a Conferência O Clima Farto de nós?

Ian Angus, fundador e director do Socialist History Project e da Ecosocialist International Network, defendeu que as “mudanças são necessárias e contrárias às necessidades do capitalismo, que não tem filhos mas um único fim: ter lucro”. O capitalismo só tem o objectivo de crescer desenfreadamente, mesmo que para isso tenha de “espalhar doenças, demolir ecossistemas e acabar com o nosso oxigénio”, para produzir ainda mais.

A necessidade de transformação das relações sociais da economia impõe-se hoje com toda a pujança e não apenas em relação ao volume de produção, mas também relativamente ao que é produzido. Ao contrário do que acontece actualmente, a lógica de mercado deve dar resposta às necessidades e condições em que vivemos.

A experiência da Cimeira de Copenhaga falhou por causa dos países ricos, que são também os maiores poluidores. Há uma grande assimetria entre os países que emitem gases de efeito-estufa. Segundo um estudo apresentado por Filipe Duarte Santos, Professor da Faculdade de Ciências e da FCSH, nos Estados Unidos da América há uma emissão de 19 toneladas por pessoa, em Portugal a média ronda as cinco, mas em Moçambique nem chega a duas décimas.

No entanto, os fenómenos climáticos atingem os territórios e os povos mais vulneráveis e aqueles que têm menos acesso ao plano do poder decisório.

Para uma situação de emergência, Filipe Duarte Santos apresentou dois tipos de resposta: a Diminuição – consumir menos energia e investir em energia renovável; e a Adaptação – que complementa a diminuição em si. “Mas as políticas implementadas devem ser realistas, fazendo uso da tomada de consciência do estado dos recursos” para que haja uma adaptação eficaz, acrescentou Maria Roxo, do Grupo de Ambiente da FCSH.

A consciência ambiental começa a estar cada vez mais presente nas nossas vidas, e “a realização da Cimeira de Copenhaga não foi uma mera coincidência (…)mas se continuarmos a usar combustíveis o aquecimento vai ser efectivamente devastador - é um sinal de que temos de mudar o sistema de energia e a própria economia, advertiu Jean-Pascal van Ypersele, vice-presidente do Intergovernmental Panel on Climate Change da ONU.

O fiasco de COP15 e a actual crise climática põem a responsabilidade de mudança urgente em cima dos ombros dos governos. O eurodeputado Roberto Musacchio assinalou que “O protocolo de Kyoto podia parecer prometedor, mas não incluía muitas nações; agora é a primeira vez em que podemos e devemos incluir todos os países para reduzir todas as emissões". O desastre de Copenhaga coloca agora “um enorme desafio à Esquerda, que é o de defender o mundo e a sua humanidade", pois os “ditos” líderes mundiais recusam-se a tomar qualquer medida vinculativa e a substituir as nossas fontes de energia, considerou Ian Angus. Para o eco-socialista, temos um sistema económico que combina a “necessidade de crescer e uma poluição desenfreada, situação que o capitalismo vai explorar indefinidamente se ninguém o parar”.

A evidência é que as pessoas transformam recursos em lixo mais do que a natureza transforma lixo em recursos.

Mas como “fazer uma homem acreditar em algo que é contrário àquilo que paga o seu salário?”, já questionava Al Gore no livro A verdade inconveniente.

A realidade é que à medida que o tempo passa assistimos impávidos à morte silenciosa das nações mais pobres.

Ian Angus explicou que a solução desta tragédia passa pelo final dos combustíveis fosseis em 30 anos e a rápida transição para as energias renováveis, acompanhada de novas políticas ambientais, sociais e económicas que imponham uma menor produção.

Segundo o Professor Canadiano, “o maior sucesso da COP15 foi saber que o movimento democrático contra a mudança climática já começou”, mas só na cimeira dos povos de Cochabamba “todas as nações falarão em nome dos direitos da Terra” e darão voz àqueles que não a tiveram para propor um plano de acção e estratégias de acção e mobilização capazes de defender os direitos da Terra mãe. “Cochabamba e o insucesso de COP15 podem ter um resultado histórico contra os impérios capitalistas. Juntos podemos parar o vandalismo climático”, enfatizou Angus.

 

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