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Documento do regime Merkel, Janeiro de 2012

Dado o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar deslocar a soberania orçamental para o nível europeu durante algum tempo

Miguel Portas

O power point

O Conselho Europeu de fim de Janeiro incluiu na sua agenda a palavra maldita dos últimos dois anos: “crescimento”. Terão os 27 chefes de Estado e de governo da União mudado de ideias? Convenceram-se que, afinal, temos um problema de crescimento? Entraram no campeonato do relançamento económico? Sabem, ao menos, se ele é compaginável com a austeridade?


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Parlamento da Polónia, Janeiro de 2012

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Protesto de deputados contra o tratado ACTA e a censura na internet

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Um olhar lúcido sobre a Síria

Bashar Assad, presidente sírio, proferiu o seu primeiro discurso em seis meses, prometeu um referendo constitucional em Março e eleições em seis meses. O que mudou? Para já nada. A ditadura está sem saída e as oposições giram na vertigem das conspirações externas e manipulações religiosas. Robert Fisk, jornalista que conhece e observa o Médio Oriente sem preconceitos, deixa-nos neste artigo publicado no Guardian o resultado de um olhar lúcido sobre a Síria.

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Produzido por Rui Tavares   
Terça, 29 Junho 2010 11:01

Atenas. — A palavra é grega; a sensação também. Para os gregos antigos, crise era um termo médico. Significado: crise era o momento na evolução de uma doença em que o doente poderia ficar muito pior, ou muito melhor. Para os médicos modernos da crise, que são os tecnocratas em Bruxelas, os governos de Sócrates a Papandreou, e os comentadores um pouco por todo o lado, a palavra crise perdeu metade do seu sentido. Agora quer apenas dizer o momento em que as coisas estão mal e vão ficar consistentemente pior. Crise deixou de ser um momento; passou a ser um estado.

Visto de Portugal e da minha geração, crise passou a ser o nome da normalidade. No final dos anos 70, se o meu olhar infantil apanhou bem as coisas, a crise era quando o bacalhau deixou de ter preço a que lhe chegassem os pobres ou quando era preciso acordar de madrugada para fazer bicha para comprar um máximo de dois litros de leite. Mais tarde foi 1983 e o FMI, o desemprego e os contratos a prazo, e depois os empregos precários e a desqualificação. Oh, sim, houve uns interlúdios. Mas foram precisamente isso, interlúdios; a crise é o estado a que nos habituámos.

Nem sei quando foi, neste percurso, que passámos a aceitar o papel que nos foi atribuído. É até um pouco perturbador; não consigo lembrar-me de quando foi que nos convencemos de que o máximo a que podemos ambicionar é que as coisas sejam um bocadinho menos más. Desistimos de tentar fazê-las muito melhores. Estamos a falhar.

***

À vista da Acrópole reune-se uma pequena multidão para um encontro de esquerda. Eu sou um dos oradores, e antes e depois de falar (a "homilia", como se chama em grego ao discurso e eu inadequadamente divertido para um ateu) vou circulando e conversando. Algumas pessoas querem resistir; outras querem adaptar-se. Das duas formas, é curto: é perder.

Todos se resignaram pois a perder; uns perdem com a cara conformada, outros perdem com a cara zangada, outros perdem fingindo que sorriem, outros ainda perdem querendo levar alguém com eles (uma bomba deflagrou no Ministério do Interior, matando estupidamente um trabalhador). Mas todos aceitam perder.

E no entanto o mundo à volta está a mudar. Sente-se isso nos ossos e nos mínimos pormenores também. Nas livrarias atenienses, mesmo as de aeroporto, o livro que mais vende é o do ministro dos Negócios Estrangeiros — da Turquia. O título é "A estratégia profunda" (ou "Profundidade estratégica", ou talvez "Amplitude estratégica"?); nele o seu autor, Ahmet Davutoglu, defende um reposicionamento da Turquia, passando por cima da União Europeia para estabelecer pontes no Médio Oriente ou mesmo mais longe, com potências regionais emergentes como o Brasil e a Índia. Isto segundo as críticas dos jornais: o livro ainda não saiu em língua que eu leia, mas embora seja um calhamaço de seiscentas páginas foi rapidamente traduzido para grego, e os gregos não querem perder pitada do que pensam os seus velhos rivais.

Entretanto, Durão Barroso decidiu fazer comentários sobre os riscos futuros da democracia grega. Esses comentários caíram aqui muito mal e, francamente, a dois passos da Ágora não parecem menos do que ridículos. Se Barroso quer refletir na democracia em risco, poderia começar para a instituição que dirige. Ainda não me parece que os membros da Comissão possam dar lições de democracia a atenienses.