| A ideologia da salvação da finança |
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| Terça, 27 Julho 2010 12:23 | |||
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O BCE empresta barato aos bancos privados e depois compra-lhes as dívidas a preços altos. Desta maneira, lembrou Miguel Portas, o Banco Central Europeu não defende os seus interesses mas sim o da finança. Miguel Portas, eurodeputado da Esquerda Unitária GUE/NGL, interveio na Comissão sobre a Crise do Parlamento Europeu onde continua a debater-se o relatório sobre o tema que domina a vida nos países da União Europeia. Sobre a mesa estão cerca de 1600 emendas ao texto original e a intervenção de Miguel Portas que aqui se reproduz incidiu sobre uma sugestão formulada por um deputado do Partido Popular Europeu, a direita dominante: retirar a ideologia do documento. "A primeira coisa que tenho a dizer", contrapôs o eurodeputado português, "é: ora aí está uma proposta ideológica". "Nós só conseguimos falar da realidade se a lermos", sublinhou Miguel Portas. "E a leitura que fazemos é a ideologia". A propósito, citou o caso das relações do Banco Central Europeu (BCE) com as instituições financeiras europeias em tempo de crise. "Há um ano", recordou, "O BCE emprestou cerca de 440 mil milhões de euros ao mercado interbancário a uma taxa de um por cento. Com esse dinheiro, parte desses bancos compraram dívidas soberanas provavelmente a três por cento. Agora, o BCE propõe-se reorganizar o modelo da dívida recomprando aos bancos a cinco e seis por cento". "Isto é a realidade", prosseguiu Miguel Portas. "E essa realidade pode ter duas leituras. Uma é que o BCE está a salvar o sistema financeiro - uma leitura ideológica; a segunda leitura, que é a minha, é que o BCE ou é estúpido ou está a salvar a finança; o que está a fazer é financiar - empresta barato e compra caro, mas não está a proteger os seus interesses".
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