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Documento do regime Merkel, Janeiro de 2012

Dado o cumprimento decepcionante até agora, a Grécia tem de aceitar deslocar a soberania orçamental para o nível europeu durante algum tempo

Miguel Portas

O power point

O Conselho Europeu de fim de Janeiro incluiu na sua agenda a palavra maldita dos últimos dois anos: “crescimento”. Terão os 27 chefes de Estado e de governo da União mudado de ideias? Convenceram-se que, afinal, temos um problema de crescimento? Entraram no campeonato do relançamento económico? Sabem, ao menos, se ele é compaginável com a austeridade?


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Mil Palavras

Parlamento da Polónia, Janeiro de 2012

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Protesto de deputados contra o tratado ACTA e a censura na internet

Instantâneos
Reflexões

Um olhar lúcido sobre a Síria

Bashar Assad, presidente sírio, proferiu o seu primeiro discurso em seis meses, prometeu um referendo constitucional em Março e eleições em seis meses. O que mudou? Para já nada. A ditadura está sem saída e as oposições giram na vertigem das conspirações externas e manipulações religiosas. Robert Fisk, jornalista que conhece e observa o Médio Oriente sem preconceitos, deixa-nos neste artigo publicado no Guardian o resultado de um olhar lúcido sobre a Síria.

A fatia dourada PDF Print
Written by Rui Tavares   

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Um combate entre Portugal e Espanha por causa do Brasil — vá lá, entre uma empresa espanhola e uma empresa portuguesa por causa de uma empresa brasileira — anda à volta de uma expressão inglesa: a golden share, ação de uma empresa que vale mais do que o seu capital, porque detém o poder da guilhotina, do sim ou do não. Traduzida à letra, a golden share poderia ser a fatia dourada — se não me engano, o nome de uma iguaria.

A utilização da golden share não tem muito que saber. Os defensores da infalibilidade do mercado costumam muito falar de "transparência", mesmo em situações em que a complexidade artificial de um produto se destina a iludir, enganar, ocultar. Já a golden share do estado na PT é extraordinariamente simples: toda a gente sabia que existia e que detinha um poder de veto. Toda a gente que comprou ações da PT estava implicitamente informada da possibilidade de ela ser usada. Foi isso que aconteceu e — independentemente de outras considerações — ninguém se pode queixar de não ter contado com este cenário. Assunto encerrado.

***

Isso deixa muito espaço em crónica para um assunto que me interessa mais: o lugar do nacionalismo neste debate. Um colega espanhol abordou-me para demonstrar o seu espanto pela atitude do governo espanhol e deplorar o que lhe parecia ser o colonialismo lusitano. Em Espanha, país de grande soberba e vistas dominantes sobre o continente americano, surpreendem-se pelo que certamente consideram o devaneio do país seu vizinho. Se nos ouvissem falar sobre a posição de Portugal no mundo, julgariam que estamos loucos e diriam que somos demasiados pequenos para isso: um país pequeno tem localização no mundo, mas não mais. Felizmente, eles não estão atentos às nossas conversas. Não imaginam que quanto menor é o país maiores podem ser as ilusões.

Do outro lado do atlântico, há no Brasil muito antilusitanismo que se esforça por não nos querer. É comum ouvir suspirar que "se tivéssemos, nós brasileiros, sido colonizados por outro povo que não os portugueses..." (divirto-me sempre a completar: "...naturalmente, não seriam brasileiros"). Os ingleses, os holandeses, os franceses e até os espanhóis são muitas vezes os colonizadores retroativamente ansiados por brasileiros que, não querendo entender Portugal, terão sempre grande dificuldade em entender-se a si mesmos. Não sabem que mesmo as comparações, hoje na moda entre a elite brasileira, com a China e a Índia, não são originais: foram introduzidas na reflexão sobre o Brasil em pleno século XVIII, por portugueses como Luís da Cunha e luso-brasileiros como Alexandre de Gusmão. A propósito, duvido que José Sócrates saiba que este último foi seu antecessor, e muito menos que ele foi nascido em Santos, no litoral paulista. E quantos portugueses sabem que tiveram um Presidente nascido no Rio de Janeiro? Também deste lado, os devaneios sobre o Brasil são feitos de muita ignorância.

***

Tanta obsessão com o Brasil fez-nos distrair da visita de Cavaco Silva a Cabo Verde. Dos cinco discursos com que foi brindado, três citaram palavras ou o nome de José Saramago, o escritor cuja homenagem ele mesquinhamente evitou. Cabo Verde é o lugar onde podemos aprender quem fomos, quem somos e — se prestarmos atenção — talvez quem viremos a ser. Cabo Verde detém, modestamente como é seu hábito, uma fatia dourada da nossa consciência.

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