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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Mensagem recebida: "acabou de ser despedido" PDF Print
Written by Marisa Matias   

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A "Europa" parece ser uma realidade distante, mas há sempre excepções. Quando se trata de implementar planos de "recuperação" económica, como os que conhecemos em Portugal, a "Europa" passa a ser a razão de todas as razões. Os governos, que conjuntamente definem a política europeia, usam o argumento de que essa mesma política lhes é imposta: "é obrigatório cortar nos apoios sociais, aumentar os impostos e flexibilizar as regras laborais; nós não queríamos, mas a Europa obriga-nos!". Parece paradoxal, mas não é.
O principal desafio que a Europa enfrenta é parte da explicação deste paradoxo. Numa altura de crise económica e social, não houve ainda nenhum esforço digno desse nome para a criação de uma política económica que coloque como prioridade a criação de emprego durável. Em apenas três anos, oito milhões de pessoas perderam o seu trabalho e 25 milhões de europeus estão hoje no desemprego. Escusado será dizer que há muitas mais pessoas sem trabalho que não cabem nesta fórmula de cálculo.
Se a estratégia deve ser a da criação de emprego, o caminho passa também pela protecção dos que o perderam. É por isto que, nesta semana, vale a pena destacar um relatório que será votado no Parlamento Europeu cuja implicação vem ao arrepio daquela que é a tendência geral. O relatório é sobre o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FAG) e foi elaborado por Miguel Portas. O FAG é o único fundo europeu destinado a apoiar as vítimas de despedimentos colectivos na UE. Quando por toda a Europa os apoios sociais estão a ser diminuídos ou cortados ao abrigo dos Planos de Estabilidade e Crescimento, este Fundo, que tem o seu fim previsto para Dezembro de 2011, poderá ser estendido até 2013, propondo-se ainda a sua transformação numa linha orçamental permanente. Entre as medidas propostas, inclui-se a redução do tempo de espera para o recebimento do apoio financeiro pelas vítimas do despedimento colectivo. Como até agora tem funcionado, o elevado tempo de espera faz com que a disponibilização dos fundos ocorra quando muitos dos trabalhadores já não os irão usar. No caso Qimonda, por exemplo, é provável que apenas uma parte dos 839 candidatos ao apoio dele venham a beneficiar.
 Nos tempos que correm, em que tanto se fala de inovação, talvez valesse a pena contar também com medidas de inovação social. De outra forma, parece que em matéria de desemprego corremos o risco de ficar dependentes de tristes exemplos de "inovação", como foi o caso do despedimento colectivo por sms a que assistimos em Portugal na semana passada...

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