Facebook
i want change
Copy/Paste

The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


Read more...
Mil Palavras
Instantâneos
Reflexões

O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

Tendencialmente PDF Print
Written by Marisa Matias   

saudepublica01

 

Há cerca de um ano atrás, uma equipa de sociólogos, coordenada por Manuel Villaverde Cabral, apresentou um estudo sobre os portugueses e o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Ele mostrava que o número de cidadãos a recorrer aos serviços públicos continuava a aumentar, independentemente do crescimento de unidades de medicina privada. Ao mesmo tempo, era nítida a queda do número de pessoas sem médico de família, inferior a dez por cento.

O que mantinha, então, a procura de serviços privados de saúde? As listas de espera.
Em 2008, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) divulgara estatísticas que mostravam que as queixas sobre os serviços privados tinham duplicado num só ano. Razões? Principalmente, os tempos de espera e a qualidade da assistência. O que não funcionava bem no SNS é o que também não funciona por aí além no privado.

O que representa, afinal, o SNS? Mais de 130 mil consultas, 2300 internamentos e quase 900 cirurgias por dia. Desde a sua criação, o SNS permitiu reduzir a mortalidade infantil a um ponto que colocou Portugal na lista dos dez melhores do mundo. Apesar de todos os remoques e queixas justificadas, os portugueses ganharam anos, literalmente anos, com o aumento exponencial da esperança de vida.

É este serviço público que tem vindo a ser atacado nos últimos anos, de cada vez que se tem que “cortar” em alguma coisa. E é também ele, agora, um dos alvos do ímpeto “revisionista” de Pedro Passos Coelho. Ao propor a mudança do “direito à protecção da saúde”, assegurado “através de um SNS universal e geral (...) tendencialmente gratuito", por um mesmo direito, mas expurgado da última expressão (substituída por “não podendo, em caso algum, o acesso ser recusado por insuficiência de meios económicos”), o que a nova liderança laranja nos propõe é um recuo de 30 anos na história das políticas de saúde - uma “subversão completa do modelo social”, como bem referiu António Arnaut, o fundador do SNS.

Não me interessa aqui discutir a pertinência das propostas de Passos Coelho, o seu sentido político ou a sua viabilidade. Mas as intenções também contam. Ficaram claras as suas: no dia que tiver o poder, transformará o direito à saúde em pouco mais do que um acto de caridade.

+/-
Comentar
Nome:
Email:
 
Sítio web:
Título:
Código UBB:
[b] [i] [u] [url] [quote] [code] [img] 
 
 
Por favor introduza o código anti correio não solicitado da imagem.
+/- Comentários
Adicionar novo Procurar RSS