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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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O "inferno social" na Grécia

A Coligação de Esquerda Syriza adquiriu em 6 de Maio, nas eleições gregas, um protagonismo europeu à medida da intensa actividade de luta e mobilização contra a austeridade que há anos desenvolve na Grécia. Atingida por uma campanha de desinformação e manipulação devido à expressão política que conseguiu dar à revolta dos gregos contra a autocracia fundamentalista neoliberal europeia, Syriza tem um programa, um projecto, representa uma alternativa ao "inferno social". Alexis Tsipras, presidente do grupo parlamentar da Syriza expõe essa realidade numa entrevista ao Guardian com versão em português em www.esquerda.net

PE toma iniciativa para minorar efeitos dos despedimentos colectivos PDF Print
Written by Nelson Peralta   

Espera pelo apoio da UE pode ser encurtada meio ano

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Gravura de Dorcosta 

O relatório de Miguel Portas que pode permitir reduzir entre cinco a seis meses o tempo de espera pelo apoio da União Europeia às vítimas dos despedimentos colectivos foi adoptado quarta-feira pela Comissão de Orçamento do Parlamento Europeu. O documento sobre o Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEAG), e que deixa em aberto a possibilidade de transformação deste num fundo estrutural a partir de 2013, foi aprovado por 30 votos contra 9 e uma abstenção. Os opositores foram os eurodeputados conservadores, liberais e de extrema-direita. Miguel Portas considera que o relatório foi assumido pela comissão sem ser desfigurado em relação à sua versão original, que se orienta pelo objectivo de reduzir significamente o período para disponibilização do apoio aos  trabalhadores atingidos por despedimentos colectivos, actualmente entre 12 a 18 meses.

O eurodeputado do Bloco de Esquerda começou por referir nessa intervenção o esforço de convergência de opiniões diferentes que resultou nos compromissos que melhoram a proposta, nomeadamente no que diz respeito à rapidez de resposta da UE aos casos de despedimento colectivo, que poderá ser reduzida em cinco a seis meses.

Os compromissos estabelecem ainda a carteira de encargos que a Comissão tem para avaliar o funcionamento do Fundo e propôr alterações ao regulamento no próximo ano. Miguel Portas realçou ainda as duas matérias onde as opiniões se dividem: “Aumentar para 75 por cento o financiamento europeu às candidatura que se realizam nas regiões mais pobres da União”, já que actualmente apenas cinco por cento dos financiamentos se lhes destinam. O outro ponto, mais complexo, diz respeito ao futuro do fundo. O parlamentar do GUE/NGL não acredita que os governos tenham condições políticas para acabar com este Fundo após 2013. Assim, a questão que se levanta é se o FEAG vai assentar numa fórmula extra-orçamental ou se, pelo contrário, deve passar a ser um fundo permanente dotado de recursos garantidos e aplicação em tempo útil. “Deve ser o Parlamento a definir esta resposta sem não esperar para confirmar a que a Comissão acabará por dar”, defendeu.

Alexander Alvaro, do grupo dos liberais, e G. Boukros, pelos conservadores, expuseram a oposição de direita ao relatório. Os conservadores foram claros - são contra a existência do próprio fundo. Já os liberais se mostraram contrários à extensão do apoio para 75 por cento em nome de não "se premiarem erros de gestão, desculpabilizando-os com a globalização". “Na Europa vejo muitos erros de mercado de trabalho, de excessos de custos no trabalho, que levam a situações de despedimentos", referiu Alexander Álvaro, um eurodeputado alemão de origem portuguesa.

Barbara Matera, pelo Partido Popular Europeu também se manifestou contra o aumento para os 75 por cento, mas referiu que apesar de a orientação do seu grupo ser contra a transformação do fundo num instrumento permanente, vários dos eurodeputados desta família política consideram que ele deve existir para além de 2013.

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