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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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"Idade das trevas social" abate-se sobre a Grécia PDF Print
Written by Helena de Carvalho   

Um novo PEC arrasa o sector do trabalho grego por imposição do FMI e de Bruxelas, sem passar pelo Parlamento de Atenas

 grecia08

 

O governo grego agravou de novo as medidas de austeridade contra a população na sequência da última reunião com o FMI e as instituições europeias. Ataques à contratação colectiva e o corte para metade do subsídio de lay-off estão entre as decisões, denuncia a coligação Syriza, integrada na Esquerda Unitária, GUE/NGL, no Parlamento Europeu. Sobre a Grécia abate-se uma nova "idade das trevas social", acrescenta a mesma organização.

Todas as medidas tomadas após a reunião de 17 de Junho entre a troika de acompanhamento - FMI, Comissão Europeia e Conselho Europeu - e o ministro grego das Finanças vão ser postas em prática sem qualquer discussão ou votação no Parlamento, informam as organizações da equerda grega. Trata-se, segundo as autoridades de Atenas, de um "processo extraordinário".

Entra as novas medidas contra o trabalho destacam-se o corte para metade do subsídio de lay-off, novas facilidades para declaração de lay-off mensal - um incremento de cinco por cento para as empresas com mais de 150 trabalhadores - o estabelecimento de salários inferiores ao salário mínimo para o primeiro emprego, a eliminação da arbitragem legal nos processos de acordos colectivos, a redução dos subsídios de trabalho extraordinário e a liberalização dos acordos sectoriais sobrepondo-se aos acordos colectivos.

No caso dos primeiros salários, as entidades patronais podem aplicar 70 por cento do salário mínimo para as idades entre os 15 e os 17 anos; 80 por cento do salário mínimo entre os 18 e os 21; 85 por cento do salário mínimo para idades superiores a 25 anos.

Segundo a troika, estas medidas terão como efeito "reforçar as instituições do mercado de trabalho". "Estas medidas", denuncia a coligação Syriza, "representam mais um passo cruel contra os interesses não apenas da vasta maioria do povo grego mas de todos os trabalhadores europeus, os desempregados e especialmente os jovens". Segundo os comentários da esquerda grega, "o que actualmente acontece na Grécia, Portugal e Espanha acontecerá eventualmente em todos os países europeus se não juntarmos forças e dermos respostas decisivas aos governos e instituições que recorrem a estas políticas ultra-liberais".

Trata-se, sublinha ainda a coligação Syriza, da tentativa de criar uma nova "idade das trevas social", que só pode ser combatida através da "mobilização dos actores sociais pelo emprego estável, pensões e salários decentes e serviços públicos garantidos".

 

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