| Decálogo |
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| Written by Redacção de The Week | |||
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Por Miguel Portas
1. Os défices de Estado não são causa mas consequência, afirma Paul Krugman, Nobel da economia. Atacar o sintoma, sem cuidar de saber o que ele esconde, pode matar o paciente da cura.
Por Dob-Herr Mannu Py
2. O défice grego é fruto de três factores: problemas estruturais acumulados antes da crise de Setembro de 2008; uma chapelada estatística realizada pelo anterior governo; e ainda a parte que decorre da recessão (quebra de receitas fiscais e aumento da despesa social em 2009). 3. O ataque dos especuladores à dívida soberana da Grécia agravou as coisas: Atenas tem agora mais juros para pagar. Como sublinha Stiglitz, outro Nobel da economia, o aumento das taxas de juro da dívida grega tem assinatura europeia. No défice grego convergem distintas causas e diferentes responsáveis. 4. A dívida grega é a ponta do iceberg. O epicentro da crise na zona euro mora em Espanha. Nós apanharemos por tabela. 5. Há quem queira cindir o euro. A hipótese parte da constatação de que balanças externas muito diferentes não aguentam a mesma política monetária. Mas a cisão não é a única solução. Diz Stiglitz que a rigidez do euro podia ser compensada com um orçamento europeu robusto. E acrescenta Krugman: a integração das políticas fiscais e dos mercados de trabalho são a resposta para as desigualdades entre países. 6. O ajustamento orçamental imposto por Bruxelas não cuida das diferenças entre países nem das suas causas. O mesmo remédio serve-se em doses homeopáticas ou de cavalo com um só objectivo – 3 por cento de défice até 2013. Porquê 3 e não 5 ou 6, e porquê 2013 e não 2015? Os ortodoxos que estão de volta não gostam de perguntas. 7. Não se sai da crise aprofundando a recessão. Mas é isso que acontecerá se a resposta ao défice for a compressão do investimento público e o congelamento de salários. Só pode dar mau resultado. 8. O governo ultima a sua proposta de programa até 2013 e José Sócrates dir-vos-á que não tem opção porque a Europa não lhe dá outras opções. Há uma parte de verdade no argumento: Bona é Bruxelas. 9. Mas há outros caminhos: George Soros, especulador filantrópico, defende a emissão de obrigações europeias (eurobonds), que libertariam os países do Sul e a Irlanda de financiamentos internacionais muito mais caros do que os proporcionados à Alemanha, por exemplo. Bruxelas também podia avançar para uma agência pública de notação ou calcular os défices sem contabilizar os juros. Podia mas não quer. 10. Podia também pedir aos alemães que passassem a comprar... enquanto persuadia os governos da vantagem de uma política fiscal comum sobre os movimentos de capitais na esfera financeira. Tudo isto ajudava e aliviava, ó se aliviava. Mas parece que não aprenderam nada.
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