| Miguel Portas: a Grécia sob a pata do governo alemão |
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| Tuesday, 21 February 2012 17:41 | |||
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O eurodeputado Miguel Portas integra a delegação de nove membros do grupo da Esquerda Unitária (GUE/NGL) que de quarta a sexta-feira visita a Grécia para se inteirar da situação em que o diktat europeu, sob comando alemão, está a deixar aquele país. “O projecto europeu está a ser destruído pelo governo alemão”, declarou Miguel Portas antes da partida, sublinhando não apenas o conteúdo das medidas que estão a ser impostas a Atenas mas também a forma como elas vão ser aplicadas. "O que temos agora é uma situação absolutamente extraordinária, segundo a qual, o ministro das Finanças alemão já está a dizer que só haverá segundo resgate à Grécia se houver adiamento das eleições”, previstas para Abril, denunciou o eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda. A Grécia humilhada, hipotecada e ocupada A delegação do GUE/NGL integra elementos de Portugal, França, Alemanha, Irlanda e Chipre e deverá avistar-se com partidos políticos que se opõem à austeridade e à tutela estrangeira, representantes de organizações de trabalhadores e da sociedade civil. Os eurodeputados da Esquerda Unitária no Parlamento Europeu têm denunciado em permanência, e desde o início, que a austeridade está a empurrar a Grécia para uma crise cada vez mais profunda, com repercussões gravíssimas no desemprego, no aumento da pobreza e numa situação de desastre que afecta milhões de pessoas. “O projecto europeu está a ser destruído pelo governo alemão”, declarou Miguel Portas fazendo uma abordagem mais abrangente do que está a acontecer na Grécia. “ A ideia de projecto europeu que continha, tal como Portugal quando aderiu à Europa, uma promessa de convergência entre os mais pobres e os mais ricos e entre as nações mais atrasadas e mais desenvolvidas, está a ser traída todos os dias pelo governo alemão que põe e dispõe da Europa a seu bel-prazer", acrescentou o eurodeputado, que concorda com a resposta do presidente da República grego, antigo resistente contra a ocupação alemã, e que atacou o ministro das Finanças alemão pelas criticas que Wolfgang Schauble fez à Grécia. "Eu se fosse grego e estivesse submetido à chantagem a que a Grécia está submetida, que é uma chantagem que já chegou ao ponto de mudarem o governo, que não foi eleito por rigorosamente ninguém e se eu fosse um grego que até tivesse sido da resistência anti-nazi e anti-fascista confesso que teria um desabafo muito similar ao do presidente da República grega", disse Miguel Portas. Para Miguel Portas, a pressão da "troika" constituída pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a União Europeia é "inaceitável" e acusa a Alemanha de "coordenar" o ataque ao país. "O que temos agora é uma situação absolutamente extraordinária, segundo a qual, o ministro das Finanças alemão já está a dizer que só haverá segundo resgate à Grécia se houver adiamento das eleições. Ou seja, se a democracia for suspensa ou então, o que é previsível, existindo eleições e não havendo uma maioria política para aprovar as exigências da 'troika', Berlim pode aproveitar este pretexto para colocar a Grécia fora de jogo e fora do euro", afirmou o eurodeputado do Bloco de Esquerda. "Temos tentado denunciar e alterar o sentido destas políticas mas o problema é que existe uma maioria de direita no Parlamento Europeu e muitas vezes essa maioria de direita conta ainda também com a cobertura do grupo socialista. O problema é que a política que domina é a política imposta por Berlim e que diz que todo o problema europeu é um problema de falta de disciplina dos países do Sul no incumprimento das suas metas orçamentais", disse ainda Miguel Portas.
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