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The Week

Miguel Portas

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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Estados Unidos e China jogam ping-pong de retaliações PDF Print
Wednesday, 03 February 2010 18:40

made in china, foto de andresrguez - http://www.flickr.com/photos/29834126@N02/2934812010/

O ping-pong de retaliações entre os Estados Unidos e a China não deixam dúvidas: as relações entre os dois gigantes estão a deteriorar-se.

Os episódios mais recentes de uma confrontação verbal pouco comum, nos últimos anos, entre Washington e Pequim são a venda de armas norte-americanas ao regime de Taiwan e a polémica em torno da figura de Dalai Lama e do que ele representa para o Tibete. Os atritos não são novos mas o tom utilizado por ambas as partes é menos suave do que habitualmente.

A troca azeda de palavras não começou agora nem se restringe a estes factos.

O primeiro sinal de tensão foi dado a nível comercial, quando Obama decidiu levantar taxas aduaneiras às importações chinesas e Pequim respondeu estabelecendo medidas proteccionistas capazes de afectar empresas norte-americanas.

A fricção seguinte iniciou-se na semana passada, quando a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, se dirigiu com dureza à China colocando pressão sobre o regime de Pequim para que apoie os Estados Unidos no agravamento de sanções ao Irão ou outras eventuais medidas de força contra Teerão.

A iniciativa de Clinton impacientou Pequim, que tem no Irão o seu principal fornecedor de petróleo e pretende continuar a gerir com cuidado as consequências da alta tensão existente entre Washington e Teerão. Num quadro de conflito que exija uma definição mais clara da sua posição a China receia que, seja qual for a sua atitude, venha sempre a ser prejudicada no domínio energético. Daí que em Pequim se suspeite que ao pressionar o Irão os Estados Unidos estejam também a tentar travar a dinâmica económica chinesa.

O problema de Taiwan é um foco recorrente de polémica entre os dois gigantes mas as tentativas regulares – embora sem êxito – de resolver o assunto de forma negociada, tal como aconteceu com Hong-Kong e Macau, tem permitido períodos de contenção.

A Administração de Barak Obama escolheu, contudo, esta fase para retomar o projecto de venda de armas a Taiwan criado no tempo da Administração de George W. Bush.

Não se trata de um pequeno arsenal para recomposição de stocks mas sim de um fornecimento variado e actualizado de armas ditas defensivas e ofensivas num valor calculado em 6400 milhões de dólares. A imprensa norte-americana revelou que o pacote integra mísseis Patriot do tipo dos que os Estados Unidos estão a distribuir pelo Médio Oriente, Leste da Europa e Eurásia em geral, para fazer face à suposta “ameaça iraniana”, mísseis Harpoon utilizáveis contra alvos terrestres e navais e seis dezenas de helicópteros Black Hawk.

A China não perdeu tempo e reagiu impondo mais um conjunto de medidas de retaliação, entre elas a imposição de sanções contra os gigantes da indústria norte-americana que fornecem sistemas para o armamento incluído no fornecimento a Taiwan. Entre as multinacionais atingidas figuram a Raytheon, a Lockheed, a General Electric, a Sikorski e a Boeing, que não aceitarão com facilidade o levantamento de problemas à sua actuação num mercado com a amplitude do chinês.

A crise acontece aliás, o que não será coincidência, num momento de cada vez maior pujança das empresas chinesas nos mercados mundiais – comprando até marcas que são ícones da economia ocidental – enquanto se multiplicam sinais de dificuldades das empresas e da economia norte-americana, traduzidas no projecto de orçamento para 2011. Num texto incómodo para a Casa Branca, o New York Times comentou o documento sublinhando que o seu conteúdo não é compatível com o de um país que pretende continuar a ser a primeira potência mundial. Travar a pujança económica chinesa será, por esta lógica, uma das opções para conservar a liderança.

Pelo meio destes problemas com influência profunda no relacionamento entre Pequim e a China, o caso da censura ao motor de pesquisa Google ganhou proporções que não teria em ocasiões mais distendidas, uma vez que o próprio operador de internet manifestou intenção de resolver o assunto sem polémica devido ao volume de receitas que obtém com a presença na China.

A questão do Tibet entrou igualmente na agenda do conflito verbal, partindo da China, provavelmente com base em informações diplomáticas, a iniciativa de transmitir a Washington o seu desagrado por um então hipotético encontro entre o presidente Obama e o Dalai Lama. O regime chinês não aceita o papel de intervenção política do líder espiritual tibetano, posição que tem transmitido nos encontros realizados com os enviados deste.

Horas depois de divulgada a posição chinesa, Barak Obama anunciou que vai encontrar-se com o Dalai Lama provavelmente ainda este ano.

Pequim sublinhara que se tal encontro se realizar provocará uma “profunda deterioração” das relações bilaterais, pelo que o ping-pong retaliatório não acaba aqui. Fica por conhecer até onde se estenderá sabendo-se que os dois países têm uma ligação muito enraizada através até da geminação de vários sectores das suas economias, sendo a China, por outro lado, o principal detentor da dívida pública dos Estados Unidos.