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The Guardian, 14/05/2012

Os gregos são alérgicos à austeridade

Marisa Matias

E a Grécia aqui tão perto

Há alguns meses escrevi sobre a torrente que é o texto "A mais estranha das criaturas", do poeta Nazim Hikmet. Diz-nos ele: "tu não és um, tu não és cinco, tu és milhões". A mais estranha das criaturas é "mais estranha do que o peixe, que vive no mar sem saber o mar".


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A lição do super-espião

Cerca de um ano depois de ter abandonado funções, o super-espião e carismático chefe da Mossad israelita Meir Dagan abre o livro e deixa Netanyahu a falar sozinho na ameaça ao Irão. O homem mais bem informado de Israel diz numa entrevista ao programa 60 Minutos da CBS que o Irão não está actualmente a trabalhar na bomba atómica, que um ataque militar era uma "decisão incorrecta" que poderia ter consequências trágicas e não resolveria o problema. E diz ainda que, à sua maneira, o regime iraniano é "racional" no modo como aplica a sua "negociação de bazar". Para reflectir.

Ficções e cidades PDF Print
Monday, 05 July 2010 12:39

helenlevitt01

Belas imagens de Brooklyn captadas por Helen Levitt estão expostas em Madrid no âmbito da PhotoEspaña2010 até 25 de Julho. São fotos que partem do banal do dia-a-dia para o metafórico social. A sugestão de Tiago Ivo Cruz.

Andar e descobrir uma cidade perdido entre ruas e lugares sem nome é dar corpo a novas ideias, construir novas referências, procurar, procurar e procurar... é mais parecido com escrever do que ler um livro, obriga a estruturar pensamento. Numa cidade que ainda não conhecemos, uma cidade nova, a curiosidade é inevitável. Esforçamo-nos por encaixar as esquinas os passeios e as pessoas nas nossas memórias, por várias e muitas razões particulares que no seu conjunto transformam-nos. Descobrir que se faz a sesta no Prado, parque central de Madrid, sob a relva, abre a possibilidade de em Lisboa, onde o espaço público ainda é lugar de respeitinhos em vez de liberdade, ocupar os relvados do Jardim da Estrela. Afinal de contas a relva é para ser pisada. Descobrir como pessoas que não se conhecem juntam-se em grupos para cantar, tocar e dançar ao fim do dia sem nenhuma razão em especial à entrada de um túnel do metro de Pequim (como mostra Sérgio Cruz na curta Outsiders, 2008), é libertador. Um túnel debaixo de uma auto-estrada, apesar de tudo, não precisa de se resumir a si próprio.

Mas há mais. Se assumimos que no mundo contemporâneo adquirimos a capacidade e a vontade de conhecer e entender os apanhadores de guano das ilhas do Perú através das fotografias de Tomás Munita, somos obrigados a admitir que qualquer objecto cultural contemporâneo é intrinsecamente global.

Se reconhecemos os cem anos de solidão nas fotografias de desconhecidos de uma aldeia do Chile de Morfi Jiménez Mercado devemos reconhecer o processo global de transmissão estética de ideias entre autores, seja ela directa ou indirecta.

São processos de apropriação simbólica que definem o que é bom, o que é mau e o que é verdade como representação da sociedade.

Deixo a sugestão de visitar 120 imagens de Helen Levitt expostas em Madrid no âmbito do PhotoEspaña2010 até dia 25 de Julho. São imagens de particularidades de uma cidade, Brooklyn, feitas entre 1936 e os anos noventa, que partem do banal do dia a dia para o metafórico social.

[Tomás Munita, Resilience]

[Tomás Munita, Resilience]

 

 

[Morfi Jiménez Mercado]

[Morfi Jiménez Mercado]

 

 

Tiago Ivo Cruz